terça-feira, 14 de novembro de 2017

A "CASA GRANDE " CONTINUA A FABRICAR MONSTROS RACISTA NO BRASIL.

MAISTER F. DA SILVA

Militante do Movimento dos Pequenos Agricultores


Waack’s


Reprodução
Rede Globo de Televisão, cérebro central e orientadora político-ideológica da grande imprensa brasileira, principal partido da burguesia, máquina de manipulação da realidade e disseminadora principal da cultura do ódio e divisionismo da classe trabalhadora, departamento de formação de opinião da classe média, cria e recria diariamente e conforme seus interesses milhares de Willians Waack's, alguns chegam a âncora de importantes jornais, outros são mera correia de transmissão de sua ideologia racista, machista, homofóbica, escravocrata e anti-democrática. O problema é que ela cria esses monstros e não assume seu compromisso com as atitudes dos mesmos, passando despercebida, correndo longe de seu compromisso perante a população. Fosse em um país verdadeiramente democrático, com um setor jurídico que fizesse valer sua função social, estaria no banco dos réus desde a muito tempo.
A demissão de Willian Waack foi uma vitória importante contra o conservadorismo, no âmbito simbólico e propagandista, serviu para dizer que nos mantemos vigilantes frente a qualquer tipo de violação de direitos, mas no cerne da questão, não toca um dedo. A Rede Globo tem a sua disposição milhares de Waack's, prontos para disponibilizar sua verborragia a serviço da continuidade manipulativa da empresa vassalo do capital financeiro e industrial, não se pode negar que é um vassalo qualificado, braço ideológico do aparato e que bem sabe, sua sobrevivência só é permitida tendo a disposição seres desprezíveis como Willian Waack, responsáveis pelo serviço sujo.
A saída de Willian Waack, não toca um dedo no cerne da questão, por que não atingiu a empresa, sua orientação política não vai mudar, ao tempo que também não irá influenciar em sua continuidade a ditar a pauta dos grandes veículos de comunicação, vide sua luta contra o Ex-presidente Lula e a reportagem publicada, no último dia 10 de novembro, pela Revista Istoé "Lula deve morrer", assinada pelo colunista Mario Vitor Rodrigues, numa clara incitação ao ódio. A cada Waack que sai, um novo é posto no lugar. Outro exemplo prático é a novela das nove, programa mais assistido da Rede Globo, perfeita manipulação travestida de denúncia, o núcleo principal é composto por uma elite e uma classe média raivosa que reverbera, capítulo a capítulo o real pensamento ideológico da empresa, acerca dos pobres, negros, gays e minorias (atriz anã), também de forma subjetiva retrata o que pensa das riquezas de nosso subsolo, visto que na vida real eles consideram mesmo é que todas essas riquezas devem ser entregues aos cuidados do estrangeiro.
Dito isto, encerro afirmando que a demissão de Willian Waack ao fim e ao cabo, nada significa na queda de braço contra o real inimigo, não balançou seu poderio, nem desgastou ao mínimo sua imagem, por que a cruzada de desmanche moral focou apenas no indivíduo, em nenhum momento se apontou a quem ele serve. Sabendo que um dos pilares do conservadorismo é tal empresa, inimiga da democracia social, econômica e racial, o foco principal deve ser sempre a sua destruição final, o dia em que ela perecer, perece também a principal parideira de Waack's. Derrubar um âncora por dia, sem destruir quem os cria, é como se todo dia que galinha põe um ovo, a gente vai lá e o quebra, mas ela continua pondo religiosamente todos os dias... ou você imagina que um Mario Vitor Rodrigues é diferente de Willian Waack.

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

DISTRITÃO É O SISTEMA ELEITORAL USADO NO AFEGANISTÃO: É O PRÓXIMO GOLPE DE TEMER E SUA CORJA .


Golpe das reformas eleitorais


Não existe sistema eleitoral perfeito.
Mais imperfeitos ainda são os motivos dos políticos para mudá-los.
Cozinha-se no Congresso Nacional a adoção do distritão, sistema usado no grande Afeganistão.
Vejamos os defeitos e qualidades de cada sistema.
Proporcional com coligações (adotado no Brasil atualmente):
– vota-se em Che Guevara e elege-se Pinochet.
– permite que o menos votado entre no lugar do mais votado.
– favorece a multiplicação das candidaturas, mas não garante a renovação dos eleitos.
– dá espaço para as minorias, mas privilegia a maioria com dinheiro.
– Consagra os puxadores de votos como Tiririca e as celebridades midiáticas como Romário.
Voto distrital puro:
– reduz o número de partidos e de candidatos (para que dividir os votos?).
– elimina as minorias.
– Se dez candidatos se elegem com 51% dos votos, 49% dos eleitores ficam sem representação.
– favorece a fraude no desenho dos distritos.
– barateia as campanhas e fortalece o controle do eleito pelo eleitor.
– facilita pela proximidade a pressão do eleito sobre o eleitor.
Distritão:
– Ganha quem fizer mais votos (acaba o formulismo).
– Sendo cada Estado um enorme distrito, a campanha fica mais cara e cansativa.
– Levará os partidos a diminuírem as candidaturas, apresentando só aqueles com chance de eleição ou até mesmo só aqueles que deseja ver eleitos, ou seja, os que já estão eleitos e querem se reeleger.
– Acaba com o puxador de votos. Tiririca continua se elegendo, mas não leva ninguém com ele.
– Se de um de total de três milhões de votos um candidato faz dois milhão de sufrágios, os demais dividirão a sobra. Haverá supereleitos e subeleitos. Exatamente como já acontece.
Distrital misto:
– concilia os defeitos do distrital puro com os defeitos da proporcional com lista fechada.
Lista fechada:
– Sonho de consumo dos caciques partidários. Fortalece os partidos e mais do que eles os seus donos. O eleitor não escolhe mais quem quer ver eleito, mas compra um pacote cheios de jabutis com seus postes.
*
Parlamentarismo: modalidade preferida pelo PSDB quando sente que vai perder a eleição presidencial.
Semipresidencialismo: modalidade preferida pelo PMDB quando precisa do parlamento para golpear.

segunda-feira, 12 de junho de 2017

GILMAR MENDES CONSEGUE SER PIOR QUE OS POLÍTICOS CORRUPTOS .

Gilmar Mendes e o crime de responsabilidade

Por André Barrocal, na revista CartaCapital:

Gilmar Mendes adora um holofote e por isso é há tempos uma figura conhecida dos brasileiros. Sua fama atingiu o clímax com o voto que salvou da guilhotina no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) o presidente Michel Temer, com quem se reúne em jatinhos da FAB e no escurinho do Palácio do Jaburu. Nos próximos dias, o juiz continuará na berlinda. Agora, é a cabeça dele que estará em jogo.

Um grupo de juristas levará ao Senado um pedido de impeachment de Mendes, mais um, aliás, na quarta-feira 14. O embaraço do togado mais poderoso de Brasília terá outros dois ingredientes: uma notícia crime a ser apresentada à Procuradoria Geral da República (PGR) e uma representação disciplinar no Supremo Tribunal Federal (STF), onde Mendes também dá expediente.

Em conjunto, os três casos podem encerrar a carreira de Mendes no Judiciário - ainda que na forma de aposentadoria compulsória, ou seja, ele para de trabalhar, mas ainda recebe salário - e impedi-lo de exercer qualquer outra função pública.

Assinam a papelada Claudio Fonteles, ex-procurador-geral da República, Marcelo Neves, ex-membro do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), e Hugo Cavalcanti Melo Filho, ex-presidente da Associação Nacional dos Magistrados do Trabalho (Anamatra), entre outros. Fonteles e Neves já tinham proposto o impeachment de Mendes em setembro de 2016, mas o Senado engavetou.

O ponto de partida das ações contra Mendes é uma conversa telefônica tida por ele com o presidente licenciado do PSDB, Aécio Neves, em 26 de abril. O tucano foi afastado do mandato de senador e denunciado pela PGR ao Supremo pelos crimes de corrupção e obstrução à Justiça. Para cometer esse último crime, Aécio teria acionado o juiz.

No telefonema, grampeado pela Polícia Federal (PF) pois o tucano estava sob investigação, Aécio pede a Mendes que fale com um senador do PSDB, Flexa Ribeiro, do Pará, para tratar de certa votação. Pelo contexto e pela data, é possível concluir que se tratava da votação da Lei de Abuso de Autoridade, projeto visto pela PGR como uma tentativa de constranger investigações de corrupção.

Resposta de Mendes a Aécio: "Tá bom, tá bom. Eu vou falar com ele. Eu falei… Eu falei com o Anastasia e falei com o Tasso… Tasso não é da comissão, mas o Anastasia… O Anastasia disse: 'Ah, tô tentando'..." Anastasia é Antonio Anastasia, senador pelo PSDB de Minas. Tasso é Tasso Jereissati, senador pelo PSDB do Ceará.

No pedido de impeachment e na notícia crime, os juristas alegam que Mendes exerceu atividade político-partidária, como demonstrariam o contato e a intimidade com o quarteto de senadores tucanos: Aécio, Anastasia, Tasso e Flexa. Segundo a Lei do Impeachment, a 1.079, de 1950, um magistrado comete crime de responsabilidade se "exercer atividade político-partidária".

A mesma lei diz que também é crime um juiz "proceder de modo incompatível com a honra, dignidade e decoro do cargo". Aécio Neves é investigado em vários inquéritos no STF, dois deles conduzidos por Gilmar Mendes. Para os juristas que vão denunciar o juiz, Mendes violentou o decoro do cargo ao falar por telefone, por razões particulares, com um investigado.

Na notícia crime a ser levada ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot, haverá provavelmente uma pergunta para ser examinada pelo "xerife". Será que Mendes não teria cometido também um comum previsto no artigo 321 do Código Penal, o de advocacia administrativa? Segundo este artigo, patrocinar, direta ou indiretamente, interesse privado perante a administração pública, valendo-se da qualidade de funcionário, é crime. Dá de um a três meses de cadeia. A depender do entendimento de Janot, pode nascer daí uma denúncia por crime comum contra Mendes.

Por fim, na reclamação disciplinar a ser apresentada no STF, Mendes será acusado de violar a Lei Orgânica da Magistratura (Loman, de 1979) e o Código de Ética da Magistratura (de 2008). Segundo o artigo 26 da Loman, um magistrado perde o cargo no caso de "exercício de atividade partidária". Diz a mesma Lei, no artigo 35, que um juiz está obrigado a "manter conduta irrepreensível na vida pública e privada".

Já o Código de Ética da Magistratura veda participação de juiz em atividade político-partidária, diz que ele deve agir com transparência (o telefonema com Aécio seria opaco), ter integridade fora da vida judiciária e comportar-se na vida privada de modo digno.

quarta-feira, 31 de maio de 2017

MUDANÇA COMEÇA PELO FIM DA REELEIÇÃO.

REELEIÇÃO SE TORNOU UM CÂNCER PARA O BRASIL.


Os brasileiros são um povo diferente em quase tudo no mundo, exceto os latinos do continente americano, as semelhanças são inúmeras , como por exemplo a vocação para governos ditatoriais, ausência de democracia e sobretudo adoram um golpe político e também o calote. Os Latinos massacraram seus nativos, bom salvo algumas exceções, todos povos dominantes massacraram os nativos e prol da dita "civilização"  e isto acontece até os nossos dias, não é o assunto que quero debater , mas serve como introdução, ao que vou explorar no texto.

O Brasil como nação, nunca passou de um "ventriloco"  de nações que controlam nossa economia e ditam as regras para nossas elites, assim foi e assim parece que sempre será, pois paira em nosso dna a formula do comodismo,  do conformismo, acredita-se que boa parte da população é assim, sonolenta e dormenta, para questões sociais, não são explosivos e nem resistente a dominação, não temos guerrilhas e nem organizações mais radicais, que promovam resistência armada, ou mesmo pacifica, contra esta situação que vivemos hoje. Nossas leis são fracas e premiam com belos bônus os ricos, e todos aqueles de má índole , ou seja, quase toda  elite que comanda e domina  este país .

Quem chega ao poder esquece seus discurso moralistas e franciscano  e logo é corrompido ou se corrompe,  se torna mais um a ser manobrado, por está elite voraz e inflexível, que domina os três poderes da nação, um exemplo é o judiciário, que tem todas mordomias, para dar legalidade as falcatruas dos donos do poder .Os juizes são concursados , ou sejam a maioria vem de escolas particulares , onde a elite estuda e a grande parte da massa populacional é excluída, por questões econômicas e  logo óbvias .

Estamos em um dilema , quem administra é elite ou está a serviço dela, quem fiscaliza ou faz as leis é manobrado pelas elites, e quem condena, julga , denuncia e aplica e interpreta as leis pertence as elite ou está a serviço dela, não temos saída nem a curto , médio e talvez a longo prazo. A formula de se manter tal controle em um país como o Brasil, país de grande  dimensões continentais, heterogênio  nas etnias, até certo ponto multicultural, é não promover mudanças, isto foi feito desde sempre, pois de colônia pertencente a uma metrópole , passa a ser uma monarquia com parlamentares vitalício  nomeado por imperador estrangeiro.

Quando a Republica foi instaurada, a população nem ficou sabendo, os parlamentares que eram vitalício passaram a ser eleito com direito a reeleições por tempo indeterminado, ou seja, praticamente vitalícios, já que as eleições eram fraudadas, um senador por exemplo tem direito a oito anos direto, pode concorrer quantas vezes quiser ao cargo de senador, um absurdo, ainda chamam isto de democracia , só para debochar do povo, os outros cargos parlamentares , tais como: deputado estadual e federal pode eternamente ser reeleito, com direito a foro privilegiado ou seja pode cometer os mais variados crimes que dificilmente serão julgados, os vereadores das pequenas cidades são reeleitos quase que além vida, ou seja os eleitores ficam nas mãos de vereadores analfabetos , preconceituosos, violentos, machistas, corruptos, conservadores e cheio de maracutaias por décadas sem fazer absolutamente nada pela população, a população é massacrada pela verborragia destes vereadores eternos e muito incompetentes.

Por isto, se a reforma política não sair e a reeleição em todas esferas não for proibida , jamais teremos alguma mudança  em nossa sociedade, pois estes políticos que estão por aí com 5 , 6 , 7 mandatos de senador, dep.estadual, federal e vereadores irão continuar com seus vícios , com seus currais, corruptos e cheio de desvios do dinheiro publico , dinheiro que é meu, teu, dos nossos filhos. A reeleição é o maior símbolo de retrocesso e um câncer para Brasil, sem acabar com a reeleição jamais conseguiremos renovar nossa política e alcançar mudanças significativas para sociedade brasileira.

quinta-feira, 18 de maio de 2017

A CASA CAIU PARA TEMER E SUA CORJA.



Ascensão e queda de Temer

Era uma vez um país incapaz de aprender com o passado. Em 1954 e 1964, a imprensa e a direita (Carlos Lacerda e a UDN) manipularam a classe média, denunciando a corrupção, até, no primeiro caso, levarem Getúlio Vargas ao suicídio e, no segundo, Jango ao exílio. Em 2016, o PSDB (sucessor da UDN), a mídia e o PMDB de Michel Temer associaram-se para tomar o poder do PT e de Dilma Rousseff.
A narrativa é simples: cansado de perder eleições, o PSDB incentivou a chegada ao poder por um atalho. Por não poder ir direto ao pote, aliou-se ao PMDB, sempre pronto a qualquer coisa, e usou um pretexto jurídico capenga, as pedaladas fiscais, e o velho pretexto da corrupção, para puxar o tapete de Dilma.
A estratégia foi revelada pelo peemedebista Romero Jucá: primeiro tira Dilma, depois “estanca a sangria da Lava Jato”. Mas a Lava Jato continuou. Há muito que Aécio Neves vinha sendo denunciado na famosa Lista de Furnas, mas a mídia amiga fingir não ver. A seletividade poupava os tucanos. Temer para chegar ao poder prometera as reformas dos sonhos do mercado e da mídia parceira. Tinha imunidade.
A ponte para o futuro, chamada de pinguela por FHC, revelou-se um trampolim para o passado.
Reforma trabalhista e da Previdência capazes de abolir até a lei Áurea.
O vaso transbordou. Os delatores começaram a entregar tudo, até o que não deviam.
A própria Lava Jato viu-se ultrapassada pelos fatos. Ouvia o que queria e o que não queria.
Trabalhou-se com provas duvidosas, teoria do domínio do fato, tudo, até a volta das provas tradicionais.
As delações da JBS botaram Aécio e Temer no lamaçal com direito a etiqueta na testa.
As panelas, porém, não soaram como antes.
As ruas ainda não se encheram de verde-amarelo.
Acontece que boa parte do discurso contra a corrupção era só antipetismo.
O petismo fez por merecer seu inferno. Mas foi mais odiado pelos poucos acertos que teve.
O inverossímil da história é que alguém tenha acreditado que Temer e seu bando predador poderiam ser a saída moralizadora para o Brasil corrupto de Lula, Dilma e o PMDB do próprio Temer.
Por que o Brasil quis se enganar assim? Quem se pensava iludir?
Ou a luta de classes, pois é disso que se trata, justificava os meios empregados?
O governo de Temer acabou estrepitosamente.
O vampiresco Michel é um cadáver político apodrecendo no Planalto.
Será mantido em formol para ter tempo de entregar suas reformas?
Há quanto tempo os “blogs sujos” forneciam elementos ignorados para prisão da irmã de Aécio?
Há quanto tempo a imprensa internacional denuncia o golpe no Brasil?
Nos jornais globais o clima é de velório. Temer foi aposta midiática e mercadológica.
Uma conveniência suja para “limpar” o Brasil do seu atraso.
Um jogo de cartas marcadas que não contava com a delação de um trapaceiro.
A frase de Temer, “tem que manter isso, viu?”, para o interlocutor da JBS que o informava da mesada para que Eduardo Cunha não abrisse o bico entrará para a história da canalhice brasileira.
Este diálogo será estudado por anos como expressão do coronelismo tropical:
“Joesley: — Se for você pegar em mãos, vou eu mesmo entregar. Mas, se você mandar alguém de sua confiança, mando alguém da minha confiança.
Aécio: Tem que ser um que a gente mata ele antes de fazer delação. Vai ser o Fred com um cara seu. Vamos combinar o Fred com um cara seu porque ele sai de lá e vai no cara. E você vai me dar uma ajuda do caralho.”
Como ficam aqueles que diziam com orgulho: “Eu não votei no Temer…”
Ter votado em Aécio já não é um atestado de sabedoria moral.
O Brasil está na frente do espelho: gangues em luta pelo controle do poder.

quarta-feira, 22 de março de 2017

POTENTIAL MEAT AND THE POWER OF GOVERNMENT TEMER ...


Rotten meat and temerian theater

Posted by: Juremir machado da silva (mail from the people)

The classical leftist only trusts the state. The convicted liberal only takes faith in private initiative. For the first all defects are stemming from the thirst for profit, which he calls greed. For the latter it is enough to privatize everything that improves. Brazil has been a master at proving that state and private companies can err in the same way and, in general, associates. The radical liberal guarantees that if the state is taken out of play corruption ends. Who destroyed Mariana, the River Doce, and a whole region? Samarco, a private company belonging to Vale do Rio do Doce and a multinational. The state failed to supervise. Without him would Samarco have done everything right? Only those who believe in Harry Potter think so. Who sold rotten or turbinated meat to consumers? JBS (Friboi and Seara) and BRF (Perdigão and Sadia), two private agribusiness giants. What did they do? They corrupted civil servants. If they did not exist, would JBS and BRF ever deceive people? Win a pack of rotten meat who still stand for that idea. The presidio of Manaus was touched by an outsourcer.
When a politician bogs down in corruption his party rushes to say that he has nothing with the roll. It's always some thing. The opposition does not forgive: it puts the blame on the whole party. There are liberals who usually point the finger at the rot of the left. They do well to the extent that rot is not lacking in Brazilian leftism. They do not care if only a part of the left gets dirty. Now, with two agribusiness stars plunged into the guts in selling rotten meat to unsuspecting consumers, some are quick to say that it should not be generalized. Have the officials involved, however, acted against themselves or against their business interests? Can there be anything more abject than selling rotten food? Part of the left gives the change: who is more dangerous, the MST with its invasions or JBS and BRF with their poisoned meats?

Rotten theses pollute the air. There are those who accuse Lava Jato of producing unemployment by breaking up contractors with their investigations. What should I do? Let the corruption roll so as not to disrupt the economy? The same is happening with the Weak Meat operation. Social networks do not lack conspiracy theories asking who is going to break part of Brazilian agribusiness and affect our exports. What would be right to do? Let the sale of rotten meat continue so as not to harm our trade balance? The left is embarrassed to learn that JBS was fed with BNDES money in the Lula / Dilma era. The right is perplexed. Only 20% of Brazilian beef is exported. The rest is for external consumption. Rotten meat ends up on our plates. How many steaks will we have eaten like this? It is reported that the PMDB was charged with the release of putrid meat.
How do you feel Tony Ramos, Fátima Bernardes and Roberto Carlos who lent their reputations and pockets praising the qualities of JBS meat? What a sad country Brazil: its three most recent tragedies were provoked by private companies: contractors, Samarco, JBS and BRF. Are they going to say that they were forced to sell rotten meat because it is the rule of the game?
And Temer, the actor, the weasel, is going to apologize to the nation for taking the ambassadors to dinner at a steakhouse that only serves imported meat? It is the face of government: one applied after another.

CARNE PODRE E A PODRIDÃO DO GOVERNO TEMER...



Carne podre e teatro temeriano


 O esquerdista clássico só confia no Estado. O liberal convicto só leva fé na iniciativa privada. Para o primeiro todos os defeitos são decorrentes da sede de lucro, que chama de ganância. Para o último basta privatizar que tudo melhora. O Brasil tem sido mestre em provar que Estado e empresas privadas podem errar da mesma maneira e, em geral, associados. O liberal radical garante que se tirar o Estado da jogada acaba a corrupção. Quem destruiu Mariana, o rio Doce e toda uma região? A Samarco, empresa privada pertencente à Vale do Rio do Doce e a uma multinacional. O Estado falhou na fiscalização. Sem ele a Samarco teria feito tudo certinho? Só acha isso quem acredita em Harry Potter. Quem vendeu carne podre ou turbinada para os consumidores? A JBS (Friboi e Seara) e a BRF (Perdigão e Sadia), duas gigantes privadas do agronegócio. O que fizeram? Corromperam funcionários públicos. Se eles não existissem, JBS e BRF jamais enganariam as pessoas? Ganha um pacote de carne podre quem ainda defender essa ideia. O presidio de Manaus era tocado por uma terceirizada.
Quando um político se atola em corrupção o seu partido se apressa em dizer que nada tem com o rolo. É sempre coisa de alguns. A oposição não perdoa: bota a culpa no partido inteiro. Há liberais que costumam apontar o dedo para a podridão da esquerda. Fazem bem na medida em que podridão não falta no esquerdismo brasileiro. Não querem saber se apenas uma parte da esquerda se sujou. Agora, com duas estrelas do agronegócio mergulhadas até as tripas na venda de carne podre para consumidores incautos, alguns se apressam em afirmar que não se deve generalizar. Os funcionários envolvidos, porém, agiram por contra própria contra os interesses das suas empresas ou em nome delas? Pode existir algo mais abjeto do que vender comida podre? Parte da esquerda dá o troco: quem é mais perigoso, o MST com as suas invasões ou a JBS e a BRF com as suas carnes envenenadas?
Teses podres contaminam o ar. Há quem acuse a Lava Jato de produzir desemprego quebrando empreiteiras com as suas investigações. O que deveria fazer? Deixar a corrupção rolar para não atrapalhar a economia? O mesmo está acontecendo com a operação Carne Fraca. Nas redes sociais não faltam teorias conspiratórias perguntando a quem serve quebrar parte do agronegócio brasileiro e afetar nossas exportações. O que seria correto fazer? Deixar a venda de carne podre continuar para não prejudicar nossa balança comercial? A esquerda está constrangida por saber que a JBS foi alimentada com dinheiro do BNDES na era Lula/Dilma. A direita está perplexa. Apenas 20% da carne bovina brasileira é exportada. O resto é para consumo externo. A carne podre acaba em nossos pratos. Quantos bifes teremos comido assim? Consta que o PMDB faturava com a liberação da carne pútrida.
Como se sentem Tony Ramos, Fátima Bernardes e Roberto Carlos que emprestaram suas reputações e seus bolsos louvando as qualidades das carnes da JBS? Que país triste o Brasil: as suas três maiores tragédias recentes foram provocadas por empresas privadas: empreiteiras, Samarco, JBS e BRF. Será que estas vão dizer que foram obrigadas a vender carne podre por ser a regra do jogo?
E Temer, o ator, o canastrão, vai pedir desculpas à nação por ter levado os embaixadores para jantar numa churrascaria que só serve carne importada? É a cara do governo: uma aplicada atrás da outra.

quarta-feira, 8 de março de 2017

A HISTÓRIA DO DIA INTERNACIONAL DA MULHER.

As histórias que remetem à criação do Dia Internacional da Mulher alimentam o imaginário de que a data teria surgido a partir de um incêndio em uma fábrica têxtil de Nova York em 1911, quando cerca de 130 operárias morreram carbonizadas. Sem dúvida, o incidente ocorrido em 25 de março daquele ano marcou a trajetória das lutas feministas ao longo do século 20, mas os eventos que levaram à criação da data são bem anteriores a este acontecimento. 

Desde o final do século 19, organizações femininas oriundas de movimentos operários protestavam em vários países da Europa e nos Estados Unidos. As jornadas de trabalho de aproximadamente 15 horas diárias e os salários medíocres introduzidos pela Revolução Industrial levaram as mulheres a greves para reivindicar melhores condições de trabalho e o fim do trabalho infantil, comum nas fábricas durante o período. 

O primeiro Dia Nacional da Mulher foi celebrado em maio de 1908 nos Estados Unidos, quando cerca de 1500 mulheres aderiram a uma manifestação em prol da igualdade econômica e política no país. No ano seguinte, o Partido Socialista dos EUA oficializou a data como sendo 28 de fevereiro, com um protesto que reuniu mais de 3 mil pessoas no centro de Nova York e culminou, em novembro de 1909, em uma longa greve têxtil que fechou quase 500 fábricas americanas.

Em 1910, durante a II Conferência Internacional de Mulheres Socialistas na Dinamarca, uma resolução para a criação de uma data anual para a celebração dos direitos da mulher foi aprovada por mais de cem representantes de 17 países. O objetivo era honrar as lutas femininas e, assim, obter suporte para instituir o sufrágio universal em diversas nações. 

Com a Primeira Guerra Mundial (1914-1918) eclodiram ainda mais protestos em todo o mundo. Mas foi em 8 de março de 1917 (23 de fevereiro no calendário Juliano, adotado pela Rússia até então), quando aproximadamente 90 mil operárias manifestaram-se contra o Czar Nicolau II, as más condições de trabalho, a fome e a participação russa na guerra - em um protesto conhecido como "Pão e Paz" - que a data consagrou-se, embora tenha sido oficializada como Dia Internacional da Mulher, apenas em 1921.

Somente mais de 20 anos depois, em 1945, a Organização das Nações Unidas (ONU) assinou o primeiro acordo internacional que afirmava princípios de igualdade entre homens e mulheres. Nos anos 1960, o movimento feminista ganhou corpo, em 1975 comemorou-se oficialmente o Ano Internacional da Mulher e em 1977 o "8 de março" foi reconhecido oficialmente pelas Nações Unidas.

"O 8 de março deve ser visto como momento de mobilização para a conquista de direitos e para discutir as discriminações e violências morais, físicas e sexuais ainda sofridas pelas mulheres, impedindo que retrocessos ameacem o que já foi alcançado em diversos países", explica a professora Maria Célia Orlato Selem, mestre em Estudos Feministas pela Universidade de Brasília e doutoranda em História Cultural pela Universidade de Campinas (Unicamp).

No Brasil, as movimentações em prol dos direitos da mulher surgiram em meio aos grupos anarquistas do início do século 20, que buscavam, assim como nos demais países, melhores condições de trabalho e qualidade de vida. A luta feminina ganhou força com o movimento das sufragistas, nas décadas de 1920 e 30, que conseguiram o direito ao voto em 1932, na Constituição promulgada por Getúlio Vargas. A partir dos anos 1970 emergiram no país organizações que passaram a incluir na pauta das discussões a igualdade entre os gêneros, a sexualidade e a saúde da mulher. Em 1982, o feminismo passou a manter um diálogo importante com o Estado, com a criação do Conselho Estadual da Condição Feminina em São Paulo, e em 1985, com o aparecimento da primeira Delegacia Especializada da Mulher.

Fonte:Paula Nadal - Revista Nova Escola

Bibliografia
As origens e a comemoração do Dia Internacional das Mulheres. Ana Isabel Álvarez Gonzalez, 208 págs., Ed. SOF/Expressão Popular

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

FIDEL CASTRO: SUA HISTÓRIA DE LUTA E CONQUISTA PARA O POVO DE CUBA E LATINO AMERICANO.

50 verdades sobre Fidel Castro

Por Salim Lamrani, no site Opera Mundi:

1. Procedente de uma família de sete filhos, Fidel Castro nasceu no dia 13 de agosto de 1926 em Birán, na atual província de Holguín, da união entre Ángel Castro Argiz, rico proprietário de terras espanhol oriundo da Galícia, e Lina Ruz González, cubana.

2. Aos sete anos, ele se muda para a cidade de Santiago de Cuba e vive na casa de uma professora encarregada de educá-lo. Ela o abandona à própria sorte. “Conheci a fome”, lembraria Fidel Castro e “minha família tinha sido enganada”. Um ano depois, ele entra no colégio religioso dos Irmãos de la Salle, em janeiro de 1935, como interno. Deixa a instituição para ir para o colégio Dolores, aos 11 anos, em janeiro de 1938, depois de se rebelar contra o autoritarismo de um professor. Segue sua escolaridade com os jesuítas no Colégio de Belém em Havana, de 1942 a 1945. Depois de uma graduação brilhante, seu professor, o padre Armando Llorente, escreve no anuário da instituição: “Distinguiu-se em todas as matérias relacionadas às letras. Excepcional e congregante, foi um verdadeiro atleta, defendendo sempre com valor e orgulho a bandeira do colégio. Soube ganhar a admiração e o carinho de todos. Cursará a carreira de Direito e não duvidamos de que encherá de páginas brilhantes o livro de sua vida.”

3. Apesar de se exiliar em Miami, em 1961, por causa das tensões entre o governo revolucionário e a Igreja Católica cubana, o padre Llorente sempre guardou uma lembrança nostálgica de seu antigo aluno. “Me dizem: ‘o senhor sempre fala bem de Fidel’. Eu falo do Fidel que eu conheci. Inclusive, [ele] uma vez salvou a minha vida e essas coisas não podem ser esquecidas nunca”. Fidel Castro se jogou na água para salvar seu professor, levado pela correnteza.

4. Em 1945, Fidel Castro entra na Universidade de Havana, onde cursa a graduação de Direito. Eleito delegado da Faculdade de Direito, participa ativamente das manifestações contra a corrupção do governo do presidente Ramón Grau San Martín. Não vacila, tampouco, em denunciar publicamente gangues vinculadas às autoridades políticas. Max Lesnik, então secretário-geral da Juventude Ortodoxa e colega de Fidel Castro, lembra-se desse episódio: “O comitê 30 de setembro [criado para lutar contra as gangues] fez o acordo de apresentar a denúncia contra o governo e os gângsteres no plenário da Federação Estudantil [Universitária]. No salão, mais de 300 alunos de diversas faculdades se apresentaram para escutar Fidel quando alguém [...] gritou: ‘Aquele que falar o que não deve, falará pela última vez’. Estava claro que a ameaça era contra o orador da vez. Fidel se levantou de sua cadeira e, com passo lento e firme, se encaminhou ao centro do amplo salão, [...] e começou a ler uma lista oficial com os nomes e todos e de cada um dos membros das gangues e dos dirigentes da FEU que haviam sido premiados com suculentas ‘garrafas’ [cargos] nos distintos ministérios da administração pública.”

5. Em 1947, aos 22 anos, Fidel Castro participa, com Juan Bosch, futuro presidente da República Dominicana, de uma tentativa de desembarque da [expedição de] Cayo Confites para derrubar o ditador Rafael Trujilo, então apoiado pelos Estados Unidos.

6. Um anos depois, em 1948, participa do Bogotazo, revolta popular desatada pelo assassinato de Jorge Eliécer Gaitán, líder político progressista, candidato às eleições presidenciais da Colômbia.

7. Graduado em Direito em 1950, Fidel Castro atua como advogado até 1952 e defende as pessoas humildes, antes de se lançar na política.

8. Fidel Castro nunca militou no Partido Socialista Popular (PSP), partido comunista da Cuba pré-revolucionária. Era membro do Partido do Povo Cubano, também chamado Partido Ortodoxo, fundado em 1947 por Eduardo Chibás. O programa do Partido Ortodoxo de Chibás é progressista e se baseia em vários pilares: soberania nacional, independência econômica pela diversificação da produção agrícola, supressão do latifúndio, desenvolvimento da indústria, nacionalização dos serviços públicos, luta contra a corrupção e justiça social por meio da defesa dos trabalhadores. Fidel Castro reivindica seu pertencimento ao pensamento “martiano” (de José Martí), chibasista (de Chibás) e anti-imperialista. Orador de grande talento, se apresenta às eleições parlamentárias como candidato do Partido do Povo Cubano em 1952.

9. No dia 10 de março de 1952, a três meses das eleições presidenciais, o general Fulgencio Batista rompe a ordem constitucional e derruba o governo de Carlos Prío Socarrás. Consegue o apoio imediato dos Estados Unidos, que reconhecem oficialmente a nova ditadura militar.

10. O advogado Fidel Castro apresenta uma denúncia contra Batista por romper a ordem constitucional: “Se existem tribunais, Batista deve ser castigado, e se Batista não é castigado [...], como poderá depois este tribunal julgar um cidadão qualquer por motim ou rebeldia contra esse regime ilegal, produto da traição impune?”. O Tribunal Supremo, sob as ordens do novo regime, recusa a demanda.

11. No dia 26 de julho de 1953, Fidel Castro se coloca à frente de uma expedição de 131 homens e ataca o quartel Moncada na cidade de Santiago, segunda maior fortaleza militar do país, assim como o quartel Carlos Manuel de Céspedes, na cidade de Bayamo. O objetivo era tomar o controle da cidade – berço histórico de todas as revoluções – e lançar um chamado pela rebelião em todo o país para derrubar o ditador Batista.

12. A operação é um fracasso e 55 combatentes são assassinados depois de brutalmente torturados pelos militares. De fato, apenas seis deles morreram em combate. Alguns conseguiram escapar graças ao apoio da população.

13. Fidel Castro, capturado alguns dias depois, deve a vida ao sargento Pedro Sarría, que se negou a seguir as ordens de seus superiores e executar o líder de Moncada. “Não disparem! Não disparem! Não se deve matar as ideias!”, exclamou para seus soldados.

14. Durante sua histórica alegação, intitulada “A História me Absolverá”, Fidel Castro, encarregado de sua própria defesa, denuncia os crimes de Batista e a miséria na qual se encontra o povo cubano, e apresenta seu programa para uma Cuba livre, baseado na soberania nacional, na independência econômica e na justiça social.

15. Condenado a 15 anos de prisão, Fidel Castro é liberado em 1955, depois da anistia que o regime de Batista lhe concedeu. Funda o Movimento 26 de Julho (M 26-7) e declara seu projeto de seguir lutando contra a ditadura antes de se exilar no México.

16. Fidel Castro organiza ali a expedição do Granma com um médico chamado Ernesto Guevara. Não foi muito trabalhoso para Fidel Castro convencer o jovem argentino, que recordava: “O conheci em uma dessas frias noites do México e lembro-me de que nossa primeira discussão foi sobre política internacional. Poucas horas depois, na mesma noite — de madrugada — eu era um de seus futuros expedicionários.”

17. Em agosto de 1955, Fidel Castro publica o Primeiro Manifesto do Movimento 26 de Julho, que retoma os pontos essenciais de “A História me Absolverá”. Trata de reforma agrária, da proibição do latifúndio, de reformas econômicas e sociais a favor dos deserdados, da industrialização da nação, da construção de habitações, da diminuição dos aluguéis, da nacionalização dos serviços públicos de telefone, gás e eletricidade, de educação e da cultura para todos, da reforma fiscal e da reorganização da administração pública para lutar contra a corrupção.

18. Em outubro de 1955, para reunir os fundos necessários para a expedição, Fidel Castro realiza uma turnê pelos Estados Unidos e se reúne com os exilados cubanos. O FBI vigia de perto os clubes patrióticos M 26-7 fundados em diferentes cidades.

19. No dia 2 de dezembro de 1956, Fidel Castro embarca no porto de Tuxpán, no México, a bordo do barco Granma, com capacidade para 25 pessoas. Os revolucionários são 82 no total e navegam rumo a Cuba com o objetivo de desatar um guerra de guerrilhas nas montanhas de Sierra Maestra.

20. A travessia se transforma em pesadelo por causa das condições climáticas. Um expedicionário cai ao mar. Juan Almeida, membro do grupo e futuro comandante da Revolução, lembra-se do episódio: “Fidel nos disse o seguinte: ‘Daqui não nos vamos até que o salvemos’. Isso comoveu as pessoas e animou a combatividade. Pensamos: ‘com esse homem não há abandonados’. O salvamos, correndo o risco de perder a expedição.”

21. Depois de uma travessia de sete dias, em vez dos cinco previstos, no dia 2 de dezembro de 1956 a tropa desembarca “no pior pântano jamais visto”, segundo Raúl Castro. Os tiros da aviação cubana a dispersam e 2 mil soldados de Batista, que esperavam os revolucionários, a perseguem.

22. Alguns dias depois, em Cinco Palmas, Fidel Castro volta a se encontrar com seu irmão Raúl e com outros 10 expedicionários. “Agora sim ganhamos a guerra”, declara o líder do M 26-7 a seus homens. Começa a guerra de guerrilhas que duraria 25 meses.

23. Em fevereiro de 1957, a entrevista com Fidel Castro realizada por Herbert Matthews, do New York Times, permite que a opinião pública estadunidense e mundial descubra a existência de uma guerrilha em Cuba. Batista confessaria mais tarde, em suas memórias, que graças a esse golpe jornalístico, “Castro começava a ser um personagem lendário”. Matthews suavizou, entretanto, a importância de sua entrevista. “Nenhuma publicidade, por mais sensacional que fosse, poderia ter tido efeito se Fidel Castro não fosse precisamente o homem que eu descrevi.”

24. Apesar das declarações oficiais de neutralidade no conflito cubano, os Estados Unidos concedem seu apoio político, econômico e militar a Batista e se opõem a Fidel Castro até os últimos instantes. No dia 23 de dezembro de 1958, a uma semana do triunfo da Revolução, enquanto o Exército de Fulgencio Batista se encontra em plena debandada, apesar de sua superioridade em armas e homens, acontece a 392ª reunião do Conselho de Segurança Nacional [dos Estados Unidos], com a presença do presidente [Dwight D.] Eisenhower. Allen Dulles, então diretor da CIA, expressa claramente a posição dos Estados Unidos. “Temos de impedir a vitória de Castro.”

25. Apesar do apoio dos Estados Unidos, de seus 20 mil soldados e da superioridade material, Batista não pôde vencer uma guerrilha composta de 300 homens armados durante a ofensiva final do verão de 1958, que mobilizou mais de 10 mil pessoas. Essa “vitória estratégica” revela, então, a genialidade militar de Fidel Castro, que havia antecipado e derrotado a operação Fim de Fidel lançada por Batista.

26. No dia 1 de janeiro de 1959, cinco anos, cinco meses e cinco dias depois do ataque ao quartel Moncada, em 26 de julho de 1953, triunfou a Revolução Cubana.

27. Durante a formação do governo revolucionário, em janeiro de 1959, Fidel Castro é nomeado ministro das Forças Armadas. Não ocupa a Presidência, ocupada pelo juiz Manuel Urrutia, nem o posto de primeiro-ministro, entregue ao advogado José Miró Cardona.

28. Em fevereiro de 1959, o primeiro-ministro Cardona, que se opõe às reformas econômicas e sociais que considera demasiadamente radicais (projeto de reforma agrária), apresenta sua demissão. Manuel Urrutia chama Fidel Castro para ocupar o cargo.

29. Em julho de 1959, frente à oposição do presidente Urrutia, que recusa novas reformas, Fidel Castro renuncia a seu cargo de primeiro-ministro. Imensas manifestações populares têm início em Cuba, exigindo a saída de Urrutia e o retorno de Fidel Castro. O novo presidente da República, Osvaldo Dorticós, volta a nomeá-lo primeiro-ministro.

30. Os Estados Unidos se mostram imediatamente hostis à Fidel Castro ao acolher com braços abertos os dignitários do antigo regime, incluindo vários criminosos de guerra que tinham roubado as reservas do Tesouro cubano, levando 424 milhões de dólares.

31. Não obstante, desde o princípio, Fidel Castro declara sua vontade de manter boas relações com Washington. Entretanto, durante sua primeira visita aos Estados Unidos, em abril de 1959, o presidente Eisenhower se nega a recebê-lo e prefere ir jogar golfe. John F. Kennedy lamentaria o ocorrido: “Fidel Castro é parte do legado de Bolívar. Deveríamos ter dado ao fogoso e jovem rebelde uma mais calorosa acolhida em sua hora de triunfo”.

32. A partir de outubro de 1959, pilotos procedentes dos Estados Unidos bombardeiam Cuba e voltam para a Flórida sem serem perturbados pelas autoridades. No dia 21 de outubro de 1959, lançam uma bomba sobre Havana que provoca duas mortes e fere 45 pessoas. O responsável pelo crime, Pedro Luis Díaz Lanza, volta a Miami sem ser perturbado pela justiça e Washington se nega a extraditá-lo para Cuba.

33. Fidel Castro se aproxima de Moscou somente em fevereiro de 1960 e apenas adquire armas soviéticas depois de os Estados Unidos rejeitarem fornecer o arsenal necessário para a sua defesa. Washington também pressiona o Canadá e as nações europeias solicitadas por Cuba com a finalidade de obrigar o país a se dirigir ao bloco socialista e assim justificar sua política hostil em relação a Havana.

34. Em março de 1960, a administração Eisenhower toma a decisão formal de depor Fidel Castro. No total, o líder da Revolução Cubana sofreria nada menos que 637 tentativas de assassinato.

35. Em março de 1960, a sabotagem, comandada pela CIA, do barco francês La Coubre, carregado de armas no porto de Havana, provoca mais de cem mortes. Em seu discurso em homenagem às vítimas, Fidel Castro lança o lema: “Pátria ou morte”, inspirado no [lema] da Revolução Francesa, “Liberdade, igualdade, fraternidade ou morte.”

36. No dia 16 de abril de 1961, depois dos bombardeios dos principais aeroportos do país pela CIA, prelúdio da invasão da Baía dos Porcos, Fidel Castro declara o caráter “socialista” da Revolução.

37. Durante a invasão da Baía dos Porcos por 1400 exilados financiados pela CIA, Fidel Castro faz parte da primeira linha de combate. Infringe uma severa derrota aos Estados Unidos e esmaga os invasores em 66 horas. Sua popularidade chega ao topo em todo o mundo.

38. Durante a crise dos mísseis, em outubro de 1962, o general soviético Alexey Dementiexv estava ao lado de Fidel Castro. Conta suas lembranças: “Passei junto a Fidel Castro os momentos mais impressionantes de minha vida. Estive a maior parte do tempo a seu lado. Houve um instante em que considerávamos próximo o ataque militar dos Estados Unidos e Fidel tomou a decisão de colocar todos os meios em [estado] de alerta. Em poucas horas, o povo estava em posição de combate. Era impressionante a fé de Fidel em seu povo, e de seu povo, e de nós, os soviéticos, nele. Fidel é, sem discussão, um dos gênios políticos e militares deste século.”

39. Em outubro de 1965, cria-se o Partido Comunista de Cuba (PCC), substituindo o Partido Unido da Revolução Socialista (PURS), surgido em 1962 (que substituiu as Organizações Revolucionárias Integradas — ORI —, criadas em 1961). Fidel Castro é nomeado primeiro-secretário.

40. Em 1975, Fidel Castro é eleito pela primeira vez para a Presidência da República depois da adoção da nova Constituição. Seria reeleito até 2006.

41. Em 1988, a mais de 20 mil quilômetros de distância, Fidel Castro dirige de Havana a batalha de Cuito Cuanavale em Angola, na qual as tropas cubanas e angolanas infringem uma retumbante derrota às forças armadas sul-africanas que invadiram Angola e que ocupavam a Namíbia. O historiadora Piero Gleijeses, professor da Universidade John Hopkins, de Washington, escreve a respeito: “Apesar de todos os esforços de Washington [aliado ao regime do apartheid] para impedir-lhe, Cuba mudou o rumo da história da África Austral [...]. A proeza dos cubanos no campo de batalha e seu virtuosismo à mesa de negociações foram decisivos para obrigar a África do Sul a aceitar a independência da Namíbia. Sua exitosa defesa de Cuito foi o prelúdio de uma campanha que obrigou a SADF [Força de Defesa Sul-Africana, as então Forças Armadas oficiais da África do Sul, por sua sigla em inglês] a sair de Angola. Essa vitória repercutiu para além da Namíbia.”

42. Observador lúcido da Perestroika, Fidel Castro declara ao povo em um discurso premonitório do dia 26 de julho de 1989, que, no caso do desaparecimento da União Soviética, Cuba deveria resistir e prosseguir na via do socialismo. “Se amanhã ou qualquer outro dia despertássemos com a notícia de que se criou uma grande guerra civil na URSS, ou até se despertássemos com a notícia de que a URSS se desintegrou [...], Cuba e a Revolução Cubana seguiriam lutando e seguiriam resistindo.”

43. Em 1994, em pleno Período Especial, conhece Hugo Chávez, com quem estabelece uma forte amizade, que duraria até a morte dele, em 2013. Segundo Fidel Castro, o presidente venezuelano foi o “melhor amigo que o povo cubano teve”. Ambos estabelecem uma colaboração estratégica com a criação, em 2005, da Aliança Bolivariana para os Povos de Nossa América, que agrupa atualmente oito países da América Latina e do Caribe.

44. Em 1998, Fidel Castro recebe a visita do papa João Paulo II em Havana. Ele pede que “o mundo se abra para Cuba e que Cuba se abra para o mundo”.

45. Em 2002, o ex-presidente dos Estados Unidos James Carter realiza uma visita histórica a Cuba. Faz uma intervenção ao vivo pela televisão: “Não vim aqui interferir nos assuntos internos de Cuba, mas estender uma mão de amizade ao povo cubano e oferecer uma visão de futuro aos nossos países e às Américas. [...] Quero que cheguemos a ser amigos e nos respeitemos uns aos outros [...]. Devido ao fato de os Estados Unidos serem a nação mais poderosa, somos nós que devemos dar o primeiro passo.”

46. Em julho de 2006, depois de uma grave doença intestinal, Fidel Castro renuncia ao poder. Conforme a Constituição, é sucedido pelo vice-presidente, Raúl Castro.

47. Em fevereiro de 2008, Fidel Castro renuncia definitivamente a qualquer mandato executivo. Consagra-se, então, à redação de suas memórias e publica regularmente artigos sob o título “reflexões.”

48. Arthur Schlesinger Jr., historiador e assessor especial do presidente Kennedy, evocou a questão do culto à pessoa [de Fidel] depois de uma permanência em Cuba em 2001. “Fidel Castro não incentiva o culto à [sua] pessoa. É difícil encontrar um cartaz ou até um cartão postal de Castro em qualquer lugar de Havana. O ícone da Revolução de Fidel, visível em todos os lugares, é Che Guevara.”

49. Gabriel García Márquez, escritor colombiano e Prêmio Nobel de literatura, é amigo íntimo de Fidel Castro. Esboçou um retrato dele e ressalta “a confiança absoluta que desperta no contato direto. Seu poder é de sedução. Busca os problemas onde eles estão. Sua paciência é invencível. Sua disciplina é de ferro. A força de sua imaginação o empurra até os limites do imprevisto.”

50. O triunfo da Revolução Cubana no dia 1 de janeiro de 1959, dirigida por Fidel Castro, é o acontecimento mais relevante da História da América Latina do século XX. Fidel Castro continuará sendo uma das figuras mais controversas do século XX. Entretanto, até seus mais ferrenhos detratores reconhecem que fez de Cuba uma nação soberana e independente, respeitada no cenário internacional, com inegáveis conquistas sociais nos campos da educação, saúde, cultura, esporte e solidariedade internacional. Ficará para sempre como o símbolo da dignidade nacional que sempre se colocou do lado do oprimidos e que deu seu apoio a todos os povos que lutavam por sua emancipação.

* Publicado em 01/01/2014.

* Salim Lamrani é doutor em Estudos Ibéricos e Latino-americanos, Salim Lamrani é professor-titular da Universidade de la Reunión e jornalista, especialista nas relações entre Cuba e Estados Unidos. Seu último livro se chama Cuba. Les médias face au défi de l’impartialité, Paris, Editions Estrella, 2013, com prólogo de Eduardo Galeano.