segunda-feira, 16 de julho de 2018

O ASTEROIDE DE 15 KM DE DIÂMETRO QUE DIZIMOU OS DINOSSAUROS, HÁ 66 MILHÕES DE ANOS.

Asteroide que dizimou dinossauros ‘não poderia ter caído em pior lugar'



Imagem recriadaDireito de imagemBARCROFT PRODUCTIONS/BBC
Image captionImagem recriada: O asteroide atingiu a Terra com um energia equivalente a dez bilhões de bombas de Hiroshima

Está cada vez mais claro para cientistas que o asteroide de 15km de diâmetro responsável pela extinção dos dinossauros não poderia ter atingido a superfície da Terra em um pior lugar.
Pesquisadores perfuraram rochas do oceano do Golfo do México que foram atingidas pelo asteroide há 66 milhões de anos e trazem novos dados sobre o evento que dizimou os animais pré-históricos.
Os últimos achados foram resumidos num documentário da BBC Two transmitido nesta segunda-feira.


PlataformaDireito de imagemBARCROFT PRODUCTIONS/BBC
Image captionPlataforma de perfuração no Golfo do México que coleta amostras de rochas para pesquisa

O asteroide atingiu uma área relativamente rasa do mar, chocou-se com as rochas de gesso mineral liberando quantidades colossais de enxofre na atmosfera o que prolongou o período de "inverno global". Os gases de enxofre são altamente tóxicos e densos. Se o asteroide tivesse caído num outro local, o resultado poderia ter sido diferente.
"É aí que está a grande ironia da história, porque no final das contas não foi o tamanho do asteroide, a escala da explosão ou seu impacto global que levou à extinção dos dinossauros; foi onde o impacto ocorreu", disse o biólogo evolucionista Ben Garrod, que apresenta The Day The Dinosaurs Died (O dia que os dinossauros morreram), com a paleontologista Alice Roberts.


Núcleo da rochaDireito de imagemBARCROFT PRODUCTIONS/BBC
Image captionNúcleo das rochas que foram atingidas por asteroides há 66 millhões de anos.

"Se o asteroide tivesse caído momentos antes ou depois, em vez de atingir a costa de águas rasas ele poderia ter se chocado com o oceano profundo", continua o pesquisador.
"Um impacto nos oceanos Atlântico ou Pacífico significaria muito menos rochas vaporizadas - incluindo o mortal gesso. A nuvem seria menos densa e a luz do sol poderia ter chegado à superfície do planeta, ou seja, o que aconteceu poderia ter sido evitado".
"Naquele mundo frio e escuro, a comida nos oceanos acabou em uma semana, e os alimentos em terra firme, pouco depois, interrompendo subitamente a cadeia alimentar. Sem nada para comer em lugar algum do planeta, os imponentes dinossauros tiveram pouca chance de sobrevivência".
Entre abril e maio de 2016, Ben Garrod esteve na plataforma de perfuração localizada a 30km de distância da Península Yucatan, no México, onde uma expedição milionária investiga o evento histórico. Enquanto isto, Alice Roberts visitou áreas de escavações de fósseis nas Américas para entender melhor como a vida mudou de rumo após o impacto.
Da plataforma, foram coletados núcleos de rochas a 1,3km de profundidade no mar do golfo. O material vem de uma área da cratera chamada "anel de pico", formações rochosas que se elevaram e rodearam o centro da cratera após a grade colisão.
Com a análise de suas propriedades, a equipe do projeto de perfuração, coordenada pelos professores Jo Morgan e Sean Gulick, espera reconstruir o desenrolar do impacto e as mudanças ambientais decorrentes dele.


Cientistas do projetoDireito de imagemMAX ALEXANDER/B612/ASTEROID DAY
Image captionCientistas que coordenam o projeto: Jo Morgan (à esquerda, do Imperial College London) e Sean Gulick (da Universidade do Texas)

Cratera Chicxulub - O impacto que mudou a vida na Terra



Reprodução mapaDireito de imagemNASA
Image captionLocal onde está a cratera conhecida como Chicxulub e é alvo das perfurações

  • O asteroide de 15km de diâmetro fez um buraco de 100km de extensão e 30km de profundidade na crosta terrestre.
  • Na sequência, a área impactada colapsou, e a cratera adquiriu 200km de extensão.
  • O centro da cratera colapsou de novo, produzindo um anel interno.
  • Hoje, grande parte da cratera está enterrada no mar, sob 600m de sedimentos.
  • Nas bordas da cratera, cobertas por calcário, formaram-se várias dolinas - cavidades naturais nas rochas dissolvidas pela passagem da água e que acabaram virando atrações turísticas.


DolinaDireito de imagemMAX ALEXANDER/B612/ASTEROID DAY
Image captionO México se tornou famoso por suas dolinas que se formaram nas bordas da cratera

Pesquisadores hoje têm uma noção melhor da escala da energia liberada pelo impacto do asteroide na Terra - o equivalente a 10 bilhões de bombas atômicas de Hiroshima.
Eles também têm mais conhecimento sobre como a depressão assumiu a estrutura que observamos hoje e como ocorreu o retorno da vida ao local do impacto.
Umas das sequências fascinantes do programa da BBC Two mostra a visita de Alice Roberts a uma pedreira de Nova Jérsei, nos Estados Unidos, onde 25 mil fragmentos de fósseis foram descobertos - uma evidência da morte em massa de criaturas que ocorreu no dia do impacto.
"Todos os fósseis têm uma camada que não tem mais de 10cm de largura", contou a Roberts o palenteologista Ken Lacovara.
"Eles morreram de repente e foram enterrados rapidamente. Isto mostra que foi um momento específico no período geológico. Pode ter durado dias, semanas, talvez meses; mas não milhares de anos ou centenas de milhares de ano. Foi um evento essencialmente instantâneo".


Alice RobertsDireito de imagemBARCROFT PRODUCTIONS/BBC
Image captionAlice Roberts visitou uma pedreira de Nova Jérsei, nos EUA, com o paleontologista Ken Lacovara
Fragmentos em Nova JérseiDireito de imagemBARCROFT PRODUCTIONS/BBC
Image captionParte dos 25 mil fragmentos de fósseis dispostos num grande depósito

segunda-feira, 26 de março de 2018

ONDE ESTÁ A CLASSE TRABALHADORA ?



Sobre liberdade e capitães do mato (por Maister F. da Silva)

Caravana de Lula durante visita IFRS em São Vicente do Sul. Foto: Guilherme Santos/Sul21
Maister F. da Silva (*)
 O Brasil realmente não é para amadores, um país complexo, sua gênese escravista, assassina e sanguinária evoluiu para um conservadorismo arcaico e sem nenhum compromisso com a nação, acostumado a ser sustentáculo e provedor de bem-estar de meia dúzia de barões e capitalistas comprometidos com a política econômica e cultural europeia e norte-americana. No entanto o Brasil conseguiu um feito do qual não devemos nos orgulhar, mas que gera um efeito devastador ainda hoje na construção da identidade de povo enquanto nação, o racismo velado.
O racismo brasileiro é um caso peculiar que tem vencido com a narrativa esdrúxula de democracia racial. O Brasil pós-escravista não enfrentou um racismo institucional como os casos dos EUA e África do Sul, para citar os mais conhecidos. Em outras palavras, não teve no estado capitalista/racista o inimigo claro, tal qual ele é, que elevaria o debate ao extremo e poderia eclodir uma revolta capaz de alterar a correlação de forças no interior do estado. Pelo contrário, venceu a narrativa de que ao fim do sistema escravocrata o negro iria galgar as mesmas posições que o branco, na mesma velocidade, apesar da discriminação racial e do preconceito de cor. Invisibilizou-se com a ajuda da mídia monopolista a verdade dos fatos, que a reprodução da desigualdade racial tem pé no projeto econômico e cultural do estado brasileiro, na submissão do negro como raça a exploração econômica, sujeitos aos piores empregos e acesso limitado ao ensino.
Essa fotografia de democracia racial endossada por alguns dos maiores intelectuais do país durante anos, criou um paralelo exposto agora, no momento em que o fascismo avança no país, um contingente significativo de negros bolsonaristas. Não há nada mais frutífero para o avanço do fascismo do que um povo desinformado e que não se identifica com a luta de seus antepassados. Tenho acompanhado a Caravana do Presidente Lula pelo Estado do Rio Grande do Sul, por mais insignificantes que sejam os atos fascistas dos promotores do ódio, acabei por vivenciar o que os olhos não querem ver, negros saudando a intervenção militar e usando camisetas de Jair Bolsonaro, tal qual os capitães do mato, pouquíssimo ou nenhum prestígio entre a comunidade negra e serviçal do patronato.
Para um negro não há nada mais triste. Ver que hoje no Brasil de seus 518 anos, ainda continuamos a nos dividir, ainda não temos o entendimento coletivo que para o capital seguir nos controlando é necessária essa lógica da exploração, o mito do “todos somos iguais”, inclusive perante a lei…ainda falta uma longa marcha até a liberdade, parafraseando Nelson Mandela.
(*) Militante do Movimento dos Pequenos Agricultores

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

DEPUTADOS CORRUPTOS E FAVORÁVEIS A REFORMA DA PREVIDÊNCIA SÃO ALVOS DA POLÍCIA FEDERAL.

Deputados Carlos Gaguim do Partido Podemos e Dulce Miranda do PMDB , são alvo de operação da PF na Câmara
PF cumpre 16 mandados de busca e apreensão e 8 de intimações na 6ª fase da Operação Ápia. Investigação apura esquema de corrupção que desviou dinheiro público de obras no Tocantins.


A Polícia Federal (PF) deflagrou na manhã desta quarta-feira (13), na Câmara, operação que tem como alvo os deputados Carlos Henrique Gaguim (PODE-TO) e Dulce Miranda (PMDB-TO). A parlamentar do PMDB é a mulher do governador do Tocantins, Marcelo Miranda (PMDB-TO).
Segundo a assessoria da Polícia Federal, as diligências desta quarta fazem parte da 6ª fase da Operação Ápia, que investiga um esquema de corrupção que teria desviado recursos públicos direcionados a obras de terraplanagem e pavimentação asfáltica no Tocantins. Os contratos sob suspeita ultrapassaram R$ 850 milhões.
Ainda de acordo com a PF, estão sendo cumpridos 16 mandados de busca e apreensão e 8 de intimações. As diligências – solicitadas pela Procuradoria Geral da República (PGR) – foram autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Até a última atualização desta reportagem, os mandados judiciais ainda estavam sendo executados.

Fonte: Por Camila Bomfim, TV Globo, Brasília

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

"RICO PRECISA DE AJUDA"


Nosso país canalha


Vale repetir: era uma vez um país que não queria se enxergar apesar de todos os espelhos que lhe eram oferecidos. Esse país se chama obviamente Brasil. A última lente que lhe foi apresentada tem um nome sugestivo: “A distância que nos une, um retrato das desigualdades brasileiras”. É um produto da Oxfam, entidade internacional que escancara os fossos mundiais entre ricos e pobres. Ponto um, “50% da população brasileira possui cerca de 3% da riqueza total do país”. Compare, caro e ilustrado leitor, com Alemanha, Suécia e Dinamarca.
Era uma vez um país de herdeiros: “Do total dos bilionários brasileiros, metade herdou patrimônio da família”. Era uma vez um país de latifúndios: “No Brasil, não há limites para o tamanho de propriedades, existindo fazenda maiores que 150 mil hectares, o tamanho do município de São Paulo”. Era uma vez um país no qual a desigualdade vem pelo cano: “No caso da cobertura de esgoto, ela abrange 80% dos 5% mais ricos, porém, cai para menos de 25% se observados os 5% mais pobres”. Era uma vez um país onde até a morte faz diferença entre ricos e pobres: “Dados mais recentes dão conta de que em Cidade Tiradentes, bairro da periferia de São Paulo, a idade média ao morrer é de 54 anos, 25 a menos do que no distrito de Pinheiros, onde ela é de 79 anos”. Nada disso é obra do acaso. Não.
É obra de governos de elite. Vai continuar: “Em 2015, a pobreza voltou a crescer, quebrando uma sequência de cerca de dez anos de queda contínua”. Onde a desigualdade se apoia? Por exemplo, na tributação. Nosso sistema é regressivo: mais ricos pagam menos impostos. Segura essa, ilustrado leitor: “Pessoas que ganham 320 salários mínimos mensais pagam uma alíquota efetiva de imposto (ou seja, aquela realmente paga após descontos, deduções e isenções) similar à de quem ganha cinco salários mensais e quatro vezes menor em comparação com declarantes de rendimentos mensais de 15 a 40 salários mínimos”. É a política de cota tributária para os pobres super-ricos.
Fica assim: “A progressividade das alíquotas efetivas cresce até a faixa dos 20 a 40 salários mínimos de rendimento, passando a partir daí a cair vertiginosamente”. Eu pago o mesmo que Gerdau e não vou ao Carf. Desde 1996, auge da era FHC, os muitos ricos vivem no paraíso: não pagam imposto de renda sobre lucros e dividendos de suas empresas. Só Brasil e Estônia praticam essa generosidade. Definição: “Lucros e dividendos são justamente os salários dos super-ricos”. Em 2016, pessoas ganhando mais do que 80 salários mínimos tiveram isenção média de “66% de impostos, podendo chegar a 70% para rendimentos superiores a 320 salários mínimos mensais”. Já as isenções para quem recebe de um a três salários mínimos não passam de 9%, indo a 17% até 20 salários mínimos. Sem dúvida, os super-ricos precisam de cuidados especiais.
Feitas as contas, os “10% mais pobres do Brasil gastam 32% de sua renda em tributos”, incluindo os indiretos, enquanto os 10% mais ricos não vão além dos 21%. Arremate: “Três em cada quatro brasileiros que estão na faixa dos 10% mais pobres – a que mais gasta com tributos – são negros e mais da metade são mulheres”. Rico precisa de ajuda.

terça-feira, 14 de novembro de 2017

A "CASA GRANDE " CONTINUA A FABRICAR MONSTROS RACISTA NO BRASIL.

MAISTER F. DA SILVA

Militante do Movimento dos Pequenos Agricultores


Waack’s


Reprodução
Rede Globo de Televisão, cérebro central e orientadora político-ideológica da grande imprensa brasileira, principal partido da burguesia, máquina de manipulação da realidade e disseminadora principal da cultura do ódio e divisionismo da classe trabalhadora, departamento de formação de opinião da classe média, cria e recria diariamente e conforme seus interesses milhares de Willians Waack's, alguns chegam a âncora de importantes jornais, outros são mera correia de transmissão de sua ideologia racista, machista, homofóbica, escravocrata e anti-democrática. O problema é que ela cria esses monstros e não assume seu compromisso com as atitudes dos mesmos, passando despercebida, correndo longe de seu compromisso perante a população. Fosse em um país verdadeiramente democrático, com um setor jurídico que fizesse valer sua função social, estaria no banco dos réus desde a muito tempo.
A demissão de Willian Waack foi uma vitória importante contra o conservadorismo, no âmbito simbólico e propagandista, serviu para dizer que nos mantemos vigilantes frente a qualquer tipo de violação de direitos, mas no cerne da questão, não toca um dedo. A Rede Globo tem a sua disposição milhares de Waack's, prontos para disponibilizar sua verborragia a serviço da continuidade manipulativa da empresa vassalo do capital financeiro e industrial, não se pode negar que é um vassalo qualificado, braço ideológico do aparato e que bem sabe, sua sobrevivência só é permitida tendo a disposição seres desprezíveis como Willian Waack, responsáveis pelo serviço sujo.
A saída de Willian Waack, não toca um dedo no cerne da questão, por que não atingiu a empresa, sua orientação política não vai mudar, ao tempo que também não irá influenciar em sua continuidade a ditar a pauta dos grandes veículos de comunicação, vide sua luta contra o Ex-presidente Lula e a reportagem publicada, no último dia 10 de novembro, pela Revista Istoé "Lula deve morrer", assinada pelo colunista Mario Vitor Rodrigues, numa clara incitação ao ódio. A cada Waack que sai, um novo é posto no lugar. Outro exemplo prático é a novela das nove, programa mais assistido da Rede Globo, perfeita manipulação travestida de denúncia, o núcleo principal é composto por uma elite e uma classe média raivosa que reverbera, capítulo a capítulo o real pensamento ideológico da empresa, acerca dos pobres, negros, gays e minorias (atriz anã), também de forma subjetiva retrata o que pensa das riquezas de nosso subsolo, visto que na vida real eles consideram mesmo é que todas essas riquezas devem ser entregues aos cuidados do estrangeiro.
Dito isto, encerro afirmando que a demissão de Willian Waack ao fim e ao cabo, nada significa na queda de braço contra o real inimigo, não balançou seu poderio, nem desgastou ao mínimo sua imagem, por que a cruzada de desmanche moral focou apenas no indivíduo, em nenhum momento se apontou a quem ele serve. Sabendo que um dos pilares do conservadorismo é tal empresa, inimiga da democracia social, econômica e racial, o foco principal deve ser sempre a sua destruição final, o dia em que ela perecer, perece também a principal parideira de Waack's. Derrubar um âncora por dia, sem destruir quem os cria, é como se todo dia que galinha põe um ovo, a gente vai lá e o quebra, mas ela continua pondo religiosamente todos os dias... ou você imagina que um Mario Vitor Rodrigues é diferente de Willian Waack.

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

DISTRITÃO É O SISTEMA ELEITORAL USADO NO AFEGANISTÃO: É O PRÓXIMO GOLPE DE TEMER E SUA CORJA .


Golpe das reformas eleitorais


Não existe sistema eleitoral perfeito.
Mais imperfeitos ainda são os motivos dos políticos para mudá-los.
Cozinha-se no Congresso Nacional a adoção do distritão, sistema usado no grande Afeganistão.
Vejamos os defeitos e qualidades de cada sistema.
Proporcional com coligações (adotado no Brasil atualmente):
– vota-se em Che Guevara e elege-se Pinochet.
– permite que o menos votado entre no lugar do mais votado.
– favorece a multiplicação das candidaturas, mas não garante a renovação dos eleitos.
– dá espaço para as minorias, mas privilegia a maioria com dinheiro.
– Consagra os puxadores de votos como Tiririca e as celebridades midiáticas como Romário.
Voto distrital puro:
– reduz o número de partidos e de candidatos (para que dividir os votos?).
– elimina as minorias.
– Se dez candidatos se elegem com 51% dos votos, 49% dos eleitores ficam sem representação.
– favorece a fraude no desenho dos distritos.
– barateia as campanhas e fortalece o controle do eleito pelo eleitor.
– facilita pela proximidade a pressão do eleito sobre o eleitor.
Distritão:
– Ganha quem fizer mais votos (acaba o formulismo).
– Sendo cada Estado um enorme distrito, a campanha fica mais cara e cansativa.
– Levará os partidos a diminuírem as candidaturas, apresentando só aqueles com chance de eleição ou até mesmo só aqueles que deseja ver eleitos, ou seja, os que já estão eleitos e querem se reeleger.
– Acaba com o puxador de votos. Tiririca continua se elegendo, mas não leva ninguém com ele.
– Se de um de total de três milhões de votos um candidato faz dois milhão de sufrágios, os demais dividirão a sobra. Haverá supereleitos e subeleitos. Exatamente como já acontece.
Distrital misto:
– concilia os defeitos do distrital puro com os defeitos da proporcional com lista fechada.
Lista fechada:
– Sonho de consumo dos caciques partidários. Fortalece os partidos e mais do que eles os seus donos. O eleitor não escolhe mais quem quer ver eleito, mas compra um pacote cheios de jabutis com seus postes.
*
Parlamentarismo: modalidade preferida pelo PSDB quando sente que vai perder a eleição presidencial.
Semipresidencialismo: modalidade preferida pelo PMDB quando precisa do parlamento para golpear.

segunda-feira, 12 de junho de 2017

GILMAR MENDES CONSEGUE SER PIOR QUE OS POLÍTICOS CORRUPTOS .

Gilmar Mendes e o crime de responsabilidade

Por André Barrocal, na revista CartaCapital:

Gilmar Mendes adora um holofote e por isso é há tempos uma figura conhecida dos brasileiros. Sua fama atingiu o clímax com o voto que salvou da guilhotina no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) o presidente Michel Temer, com quem se reúne em jatinhos da FAB e no escurinho do Palácio do Jaburu. Nos próximos dias, o juiz continuará na berlinda. Agora, é a cabeça dele que estará em jogo.

Um grupo de juristas levará ao Senado um pedido de impeachment de Mendes, mais um, aliás, na quarta-feira 14. O embaraço do togado mais poderoso de Brasília terá outros dois ingredientes: uma notícia crime a ser apresentada à Procuradoria Geral da República (PGR) e uma representação disciplinar no Supremo Tribunal Federal (STF), onde Mendes também dá expediente.

Em conjunto, os três casos podem encerrar a carreira de Mendes no Judiciário - ainda que na forma de aposentadoria compulsória, ou seja, ele para de trabalhar, mas ainda recebe salário - e impedi-lo de exercer qualquer outra função pública.

Assinam a papelada Claudio Fonteles, ex-procurador-geral da República, Marcelo Neves, ex-membro do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), e Hugo Cavalcanti Melo Filho, ex-presidente da Associação Nacional dos Magistrados do Trabalho (Anamatra), entre outros. Fonteles e Neves já tinham proposto o impeachment de Mendes em setembro de 2016, mas o Senado engavetou.

O ponto de partida das ações contra Mendes é uma conversa telefônica tida por ele com o presidente licenciado do PSDB, Aécio Neves, em 26 de abril. O tucano foi afastado do mandato de senador e denunciado pela PGR ao Supremo pelos crimes de corrupção e obstrução à Justiça. Para cometer esse último crime, Aécio teria acionado o juiz.

No telefonema, grampeado pela Polícia Federal (PF) pois o tucano estava sob investigação, Aécio pede a Mendes que fale com um senador do PSDB, Flexa Ribeiro, do Pará, para tratar de certa votação. Pelo contexto e pela data, é possível concluir que se tratava da votação da Lei de Abuso de Autoridade, projeto visto pela PGR como uma tentativa de constranger investigações de corrupção.

Resposta de Mendes a Aécio: "Tá bom, tá bom. Eu vou falar com ele. Eu falei… Eu falei com o Anastasia e falei com o Tasso… Tasso não é da comissão, mas o Anastasia… O Anastasia disse: 'Ah, tô tentando'..." Anastasia é Antonio Anastasia, senador pelo PSDB de Minas. Tasso é Tasso Jereissati, senador pelo PSDB do Ceará.

No pedido de impeachment e na notícia crime, os juristas alegam que Mendes exerceu atividade político-partidária, como demonstrariam o contato e a intimidade com o quarteto de senadores tucanos: Aécio, Anastasia, Tasso e Flexa. Segundo a Lei do Impeachment, a 1.079, de 1950, um magistrado comete crime de responsabilidade se "exercer atividade político-partidária".

A mesma lei diz que também é crime um juiz "proceder de modo incompatível com a honra, dignidade e decoro do cargo". Aécio Neves é investigado em vários inquéritos no STF, dois deles conduzidos por Gilmar Mendes. Para os juristas que vão denunciar o juiz, Mendes violentou o decoro do cargo ao falar por telefone, por razões particulares, com um investigado.

Na notícia crime a ser levada ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot, haverá provavelmente uma pergunta para ser examinada pelo "xerife". Será que Mendes não teria cometido também um comum previsto no artigo 321 do Código Penal, o de advocacia administrativa? Segundo este artigo, patrocinar, direta ou indiretamente, interesse privado perante a administração pública, valendo-se da qualidade de funcionário, é crime. Dá de um a três meses de cadeia. A depender do entendimento de Janot, pode nascer daí uma denúncia por crime comum contra Mendes.

Por fim, na reclamação disciplinar a ser apresentada no STF, Mendes será acusado de violar a Lei Orgânica da Magistratura (Loman, de 1979) e o Código de Ética da Magistratura (de 2008). Segundo o artigo 26 da Loman, um magistrado perde o cargo no caso de "exercício de atividade partidária". Diz a mesma Lei, no artigo 35, que um juiz está obrigado a "manter conduta irrepreensível na vida pública e privada".

Já o Código de Ética da Magistratura veda participação de juiz em atividade político-partidária, diz que ele deve agir com transparência (o telefonema com Aécio seria opaco), ter integridade fora da vida judiciária e comportar-se na vida privada de modo digno.