quarta-feira, 10 de abril de 2013

"SOU PECUARISTA" FOI ASSIM QUE FERNANDINHO BEIRA-MAR SE DEFINIU QUANDO FOI PRESO NA COLÔMBIA.

Beira-Mar ao ser preso: “Sou pecuarista”


por Luiz Carlos Azenha


Encontrei Fernandinho Beira-Mar diante de um avião, na Colômbia, logo depois que ele foi preso. Topou dar entrevista, mas negou ser traficante de drogas: “Soy ganadero.”

Quase respondi a ele: “E eu sou o Papa.” Mas podia fazer mal à minha saúde.
Ao desembarcar em Bogotá, vindo do interior, Beira-Mar foi recebido na porta do avião pela nossa equipe de reportagem e pelo então secretário de Segurança do Rio de Janeiro, Josias Quintal. Vestia um colete à prova de balas. Autoridades brasileiras acusavam Beira-Mar de ser o maior traficante de cocaína do país

Viajamos para a Colômbia a bordo de um jatinho do governo do Rio. Depois de uma escala em Bogotá, seguimos para um aeroporto do interior, em busca de Beira-Mar. Os policiais cariocas estavam ansiosos e confusos. Pousamos num aeroporto no meio da floresta, para reabastecer, depois de sobrevoar a selva sem rumo. Houve um desencontro com autoridades colombianas.

Fernandinho só seria levado para Bogotá no dia seguinte. “Soy ganadero, soy ganadero”, foi o que respondeu quando perguntei se, de fato, ele comandava o tráfico refugiado no interior da Colômbia. Pelo que disse na entrevista, tinha se tornado pecuarista na região produtora de cocaína.

A foto acima foi tirada no aeroporto em que pousamos para reabastecer, perdido no interior da Colômbia. Apareço com Josias Quintal, um assessor dele e um colega jornalista. Estávamos em pleno território de traficantes e guerrilheiros.  Posamos para a foto diante de um cargueiro Ilyushin, de fabricação russa, pertencente à companhia estatal Aeroflot. O que o avião estava fazendo ali?

Na época, Bogotá estava sob toque de recolher informal. Recebemos recomendação para não deixar o hotel depois das seis da tarde. Os guerrilheiros andavam tomando estrangeiros como reféns. E a bandidagem detonava caixas eletrônicos durante a madrugada, para tomar dinheiro dos bancos.

A capital colombiana é uma cidade agradável. Passeando por ela, é possível perceber as contradições que alimentaram Gabriel Garcia Márquez. Um lugar bonito, feio, elegante, miserável, em que índios e descendentes de espanhóis freqüentam mundos distintos.

Beira-Mar foi apresentado oficialmente à imprensa no dia seguinte à nossa chegada, com a mão direita engessada. Teria se ferido durante a fuga.

O governo local queria mesmo era prender Negro Acácio, integrante das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, as FARC, que tinham se associado aos traficantes. As FARC, na época, controlavam boa parte do território colombiano, eram acusadas de dar passagem livre para a cocaína em troca de um pedágio.

Beira-Mar foi tratado na Colômbia como um traficante de segunda classe. Depois de anunciar a prisão como outra vitória do Exército e da polícia, os colombianos dispensaram Fernandinho como se fosse um pé-de-chinelo. Ele foi rapidamente deportado para o Brasil.

Com ajuda em dinheiro, treinamento e helicópteros, os Estados Unidos faziam pressão para que o governo local concentrasse o fogo nas FARC, como forma de enfraquecer os traficantes. Negro Acácio, sim, era um peixe graúdo.
Na entrevista que fiz com Fernandinho, na porta do avião, ele falou com a suavidade de um malandro do morro, como se estivesse surpreso com a prisão: “Não devo nada.”

Depois de fugir do Brasil, onde estava jurado de morte, o traficante foi para a Bolívia. Ele se associou ao maior cartel local. Numa disputa por poder, mandou matar os dois irmãos que comandavam a gangue. Com medo de vingança, fugiu de novo, desta vez para a Colômbia. Teria se ligado à guerrilha num negócio lucrativo: mandava cocaína para a Europa, passando por território brasileiro, e recebia de volta o armamento, usado para “pagar pedágio”.

Desde que voltou ao Brasil, Fernandinho já foi transferido várias vezes de cadeia. O sonho dele era cumprir pena no Rio de Janeiro. Agentes penitenciários e policiais teriam enriquecido às custas do traficante? Suspeito que se Beira-Mar abrir a boca vai comprometer muita gente. Mas aí corre o risco de morrer na cadeia.

A imagem mais marcante da viagem foi a do cargueiro russo, avaliado em alguns milhões de dólares, estacionado numa pista no meio da floresta. Faria parte da ponte aérea do pó, ligando a Colômbia ao mercado europeu.

LULA E BONO: A PROPOSTA DO BOLSA FAMÍLIA PLANETÁRIO.



Bono desafia Lula: Vamos fazer juntos um Bolsa Família planetário



Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula
do Instituto Lula
O que era para ser um reencontro de dois amigos acabou se transformando em uma produtiva reunião de trabalho. 

Na tarde desta terça-feira (9), em Londres, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o músico irlandês Bono, líder da banda U2, conversaram durante uma hora e falaram sobre o programa Bolsa Família, segurança alimentar, fome na África e, claro, futebol, paixão de ambos.

A pedido do roqueiro e ativista social, Lula resumiu os programas de inclusão social realizados no Brasil durante seu governo e que permitiram que fossem retirados do estado de miséria absoluta mais de 30 milhões de pessoas. De lápis na mão, o ex-presidente fez para Bono um cálculo estarrecedor:

– Some os 9,5 trilhões de dólares gastos para salvar bancos norte-americanos e europeus, depois da crise de 2008, mais os 1,7 trilhões de dólares despejados pelos EUA na guerra do Iraque, e você terá mais de US$ 11 trilhões. Isso significa que os recursos jogados na farra dos bancos e na invasão do Iraque seriam suficientes para montar um mega-programa Bolsa Família que atenderia a todos os pobres do mundo durante 150 anos.
Para Bono, depois que o ex-presidente sul-africano Nelson Mandela, com problemas de saúde, retirou-se da política, Lula converteu-se naturalmente no grande interlocutor mundial dos pobres:

– Lula, você é o único interlocutor capaz de falar com capitalistas e socialistas, com dirigentes dos países ricos e com as lideranças do Terceiro Mundo.
O músico propôs somar os esforços do Instituto Lula e da organização não-governamental ONE, criada e dirigida por Bono para difundir e estimular, em países africanos, programas contra a fome e a miséria. Ele revelou também que, com o apoio de Bill Gates e do investidor George Soros, a ONE vem implantando na Tanzânia um projeto de produção de alimentos na savana inspirado no trabalho da brasileira Embrapa em Gana.
Ao final do encontro, Bono fez um desafio ao ex-presidente do Brasil:

– Você é hoje a única pessoa em condições de liderar uma cruzada internacional para transformar o Bolsa Família num programa planetário, que atenda a todos os pobres do mundo! Vamos, eu me junto a você e fazemos isso juntos!

Lula e Bono ficaram de se reencontrar em breve para trocar relatórios de suas respectivas atividades, e já bateram o martelo: os dois estarão juntos nas arquibancadas do novo estádio do Corinthians, na abertura da Copa do Mundo de 2014.

terça-feira, 9 de abril de 2013

SMARTPHONES PRODUZIDOS NO BRASIL COM ZERO DE IMPOSTOS.





Governo zera impostos de smartphones e espera preço 30% mais barato

Desoneração de PIS/Confins vale para celular produzidos no Brasil e que tenham Wi-Fi e custem até R$ 1,5 mil


O governo zerou nesta terça-feira as alíquotas de PIS/Cofins que incidem sobre celulares inteligentes fabricados no Brasil, segundo decreto publicado no Diário Oficial da União, incluindo o segmento no Programa de Inclusão Digital. O decreto abrange os smartphones em legislação de 2005 que desonerou o segmento, ou seja, apenas aparelhos com valor de venda de até R$ 1,5 mil.
A desoneração também atingiu roteadores digitais com preços no varejo de até R$ 150,  fabricados no País.
O decreto prevê que um ato do Ministério das Comunicações definirá as características técnicas que o celular deverá ter para ser considerado um smartphone com internet em alta velocidade e consequentemente ser desonerado. O celular deve ter conectividade Wi-Fi, aplicativo de navegação e email, "sistema operacional que disponibilize kit de desenvolvimento por terceiros, tela igual ou superior a 18 centímetros quadrados e aplicativos desenvolvidos no País", informou o ministério.Segundo o Ministério das Comunicações, a desoneração deve levar a uma redução no preço final ao consumidor de até 30% em relação aos smartphones importados, que pagam também Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). A redução dos impostos deve implicar em uma renúncia fiscal de até R$ 500 milhões ao ano, segundo o ministério.
A pasta acrescentou que poderá no ato estabelecer valores inferiores ao previsto no decreto, "a depender dos requisitos técnicos estabelecidos".
De acordo com o ministério, está prevista a formação do Comitê de Aplicativos Móveis, formado por representantes do governo, operadoras e fabricantes. O objetivo é estabelecer diretrizes para o desenvolvimento de aplicativos no país e definir como podem ser usados nos smartphones beneficiados pela desoneração.
Segundo o ministério, a linha básica é desenvolver aplicativos focados nas necessidades brasileiras e não apenas traduções de aplicativos de sucesso desenvolvidos em outros países. Outro benefício esperado com a desoneração é incentivar a disponibilidade de aparelhos com tecnologia de quarta geração no padrão brasileiro, resultado do leilão realizado em junho de 2012. Hoje existem apenas três modelos com 4G no mercado brasileiro.
Hoje os smartphones representam aproximadamente 27% do total de celulares vendidos no Brasil e a expectativa é chegar a 50% do total em 2014, ou cerca de 30 milhões, de acordo com informações do ministério.

UMA LISTA DAS MALDADE DE MARGARET THATCHER FEITA POR MORRISEY , CANTOR DO SMITHS.


Muita gente comemorou sua morte, e ninguém chorou.
  
Festa para muitos na Inglaterra
Festa para muitos na Inglaterra

Paulo Nogueira 



Abaixo, você pode ler a essência da 
manifestação de Morrisey, cantor do Smiths, à morte de Thatcher.

“Cada movimento que ela fez foi marcado pela 

negatividade.


 Ela odiava os mineiros, ela odiava as artes, ela odiava os pobres, ela odiava o Greenpeace e os todas as entidades de proteção ambiental.

 Ela deu a ordem para explodir o Belgrano já quando o navio argentino estava se afastando das Malvinas. E quando os meninos argentinos a bordo do Belgrano sofreram uma morte terrível e injusta, Thatcher deu o sinal sinal de positivo para a imprensa britânica.

 Ela odiava feministas ainda que tenha sido graças a elas que o povo britânico aceitou que um primeiro-ministro pudesse realmente ser do sexo feminino.
 Thatcher era um horror sem um átomo da humanidade.”
  
Quanto a mim: sabia, evidentemente, que Thatcher era uma figura que dividia os ingleses.

Mas não imaginava, até ver as reações a sua morte aqui na Inglaterra e em outras partes do Reino Unido, quanto o ódio que ela despertou suplantava o amor e a admiração.
Horas depois do anúncio da morte, enfrentaram-se em Manchester os dois times locais, o United e o City.

Não houve minuto de silêncio. A torcida teria devastado o tributo.

Em Liverpool, os torcedores cantavam em comemoração à morte de Thatcher. Numa tragédia em que morreram muitos torcedores no estádio do Liverpool nos dias de Thatcher, a polícia acusou a torcida local – erradamente, como se veria depois.

Thatcher condenou a torcida e apoiou a versão falaciosa da polícia. Jamais foi perdoada.

A " DAMA DE FERRO" E SEU HISTÓRICO DE MALDADES PARA COM A HUMANIDADE.



A "dama de ferro" no neoliberalismo

Por Flávio Aguiar, na Rede Brasil Atual:

Margareth Thatcher, a prestigiada e/ou odiada Dama de Ferro, primeira e única mulher a exercer o cargo de primeira-ministra do Reino Unido, teve sua morte por AVC anunciada nesta segunda-feira (8) à tarde (horário centro-europeu) por seu porta-voz, Lord Bell.

Nascida em 1925, Thatcher fez uma fulgurante carreira na política inglesa. Tornou-se líder do Partido Conservador em 1975, e foi eleita primeira-ministra em 1979. Reinou (com perdão da Rainha Elizabeth) em Londres desde então até 1990.

Neste período tornou-se a campeã mundial do neoliberalismo. Defendeu ardorosamente tudo o que de mais reacionário havia no mundo. Combateu duramente os sindicatos britânicos, sobretudo o dos mineiros, que a enfrentaram numa greve histórica e fracassada, da qual não se recuperaram até hoje. E aboliu na prática o salário mínimo, restaurado apenas por Tony Blair.

Junto com o papa João Paulo II e o presidente dos Estados Unidos, Ronald Reagan, Thatcher foi uma das estrategistas da derrocada da hoje extinta União Soviética. Apoiou a extrema-direita na América Latina, sendo amiga pessoal e sustentadora política do ex-ditador Augusto Pinochet. Já ex-primeira-ministra, levou-lhe sua solidariedade pessoal e política quando, de outubro de 1998 a março de 2000, ele foi detido em Londres devido a um processo movido contra ele pelo juiz espanhol Baltazar Garzón por crimes contra a humanidade durante sua ditadura.

A exceção com este “love affair” com as ditaduras foi o caso da argentina, quando os ditadores, para desviar a atenção de seus conterrâneos dos duros problemas que o país vinha enfrentando, resolveram tomar as ilhas Malvinas do britânicos, em abril de 1982. Na guerra que se seguiu até o mês de junho morreram 255 soldados britânicos, 649 argentinos e 3 civis nas ilhas. A derrota dos argentinos apressou a queda da ditadura, e a vitória britânica praticamente garantiu a reeleição de Thatcher em 1983.

Mas como não há mal que sempre dure, o reinado de Thatcher encontrou seu Waterloo em 1990, ao pretender instituir um imposto territorial único por habitante, do mesmo valor, em lugar do imposto antigo, que variava de acordo com o valor da propriedade, como o nosso IPTU. O imposto preconizado era claramente regressivo, beneficiando os mais ricos, como, aliás, quase tudo que Thatcher fez no governo. A medida provocou reações iradas em todo o Reino Unido, com manifestações que resultaram em confrontos com a polícia, as chamadas “Poll Riots”, sendo “Poll” o nome pelo qual o imposto era conhecido.

Depois de deixar o cargo de primeira-ministra, Thatcher dedicou-se, através da fundação que leva o seu nome, à defesa dos ideais de livre mercado que patrocinou durante seus anos de governo. Progressivamente tomada por uma forma de demência cerebral, acabou retirando-se de qualquer atividade pública mais recentemente.

A personificação de seu personagem no filme ‘The Iron Lady’ (2011), dirigido por Phyllida Lloyd, valeu a Meryl Streep o Oscar de Melhor Atriz em 2012, além de outros prêmios internacionais

segunda-feira, 8 de abril de 2013

ELUCIDATIVA É O TERMO SOBRE A REPORTAGEM DA REVISTA ISTO É FEITO SOBRE AS COTAS RACIAIS .


Por que as cotas raciais deram certo no Brasil

Política de inclusão de negros nas universidades melhorou a qualidade do ensino e reduziu os índices de evasão. Acima de tudo, está transformando a vida de milhares de brasileiros

Amauri Segalla, Mariana Brugger e Rodrigo Cardoso
Antes de pedalar pelas ruas de Amsterdã com uma bicicleta vermelha e um sorriso largo, como fez na tarde da quarta-feira da semana passada, Ícaro Luís Vidal dos Santos, 25 anos, percorreu um caminho duro, mas que poderia ter sido bem mais tortuoso. Talvez instransponível. Ele foi o primeiro cotista negro a entrar na Faculdade de Medicina da Federal da Bahia. Formando da turma de 2011, Ícaro trabalha como clínico geral em um hospital de Salvador. A foto ao lado celebra a alegria de alguém que tinha tudo para não estar ali. É que, no Brasil, a cor da pele determina as chances de uma pessoa chegar à universidade. Para pobres e alunos de escolas públicas, também são poucas as rotas disponíveis. Como tantos outros, Ícaro reúne várias barreiras numa só pessoa: sempre frequentou colégio gratuito, sempre foi pobre – e é negro. Mesmo assim, sua história é diferente. Contra todas as probabilidades, tornou-se doutor diplomado, com dinheiro suficiente para cruzar o Atlântico e saborear a primeira viagem internacional. Sem a política de cotas, ele teria passado os últimos dias pedalando nas pontes erguidas sobre os canais de Amsterdã? Impossível dizer com certeza, mas a resposta lógica seria “não”.
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Desde que o primeiro aluno negro ingressou em uma universidade pública pelo sistema de cotas, há dez anos, muita bobagem foi dita por aí. Os críticos ferozes afirmaram que o modelo rebaixaria o  nível educacional e degradaria as universidades. Eles também disseram que os cotistas jamais acompanhariam o ritmo de seus colegas mais iluminados e isso resultaria na desistência dos negros e pobres beneficiados pelos programas de inclusão. Os arautos do pessimismo profetizaram discrepâncias do próprio vestibular, pois os cotistas seriam aprovados com notas vexatórias se comparadas com o desempenho da turma considerada mais capaz. Para os apocalípticos, o sistema de cotas culminaria numa decrepitude completa: o ódio racial seria instalado nas salas de aula universitárias, enquanto negros e brancos construiriam muros imaginários entre si. A segregação venceria e a mediocridade dos cotistas acabaria de vez com o mundo acadêmico brasileiro. Mas, surpresa: nada disso aconteceu. Um por um, todos os argumentos foram derrotados pela simples constatação da realidade. “Até agora, nenhuma das justificativas das pessoas contrárias às cotas se mostrou verdadeira”, diz Ricardo Vieiralves de Castro, reitor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).
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As cotas raciais deram certo porque seus beneficiados são, sim, competentes. Merecem, sim, frequentar uma universidade pública e de qualidade. No vestibular, que é o princípio de tudo, os cotistas estão só um pouco atrás. Segundo dados do Sistema de Seleção Unificada, a nota de corte para os candidatos convencionais a vagas de medicina nas federais foi de 787,56 pontos. Para os cotistas, foi de 761,67 pontos. A diferença entre eles, portanto, ficou próxima de 3%. ISTOÉ entrevistou educadores e todos disseram que essa distância é mais do que razoável. Na verdade, é quase nada. Se em uma disciplina tão concorrida quanto medicina um coeficiente de apenas 3% separa os privilegiados, que estudaram em colégios privados, dos negros e pobres, que frequentaram escolas públicas, então é justo supor que a diferença mínima pode, perfeitamente, ser igualada ou superada no decorrer dos cursos. Depende só da disposição do aluno. Na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), uma das mais conceituadas do País, os resultados do último vestibular surpreenderam. “A maior diferença entre as notas de ingresso de cotistas e não cotistas foi observada no curso de economia”, diz Ângela Rocha, pró-reitora da UFRJ. “Mesmo assim, essa distância foi de 11%, o que, estatisticamente, não é significativo.”
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Por ser recente, o sistema de cotas para negros carece de estudos que reúnam dados gerais do conjunto de universidades brasileiras. Mesmo analisados separadamente, eles trazem respostas extraordinárias. É de se imaginar que os alunos oriundos de colégios privados tenham, na universidade, desempenho muito acima de seus pares cotistas. Afinal, eles tiveram uma educação exemplar, amparada em mensalidades que custam pequenas fortunas. Mas a esperada superioridade estudantil dos não cotistas está longe de ser verdade. A Uerj analisou as notas de seus alunos durante 5 anos. Os negros tiraram, em média, 6,41. Já os não cotistas marcaram 6,37 pontos. Caso isolado? De jeito nenhum. Na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), que também é referência no País, uma pesquisa demonstrou que, em 33 dos 64 cursos analisados, os alunos que ingressaram na universidade por meio de um sistema parecido com as cotas tiveram performance melhor do que os não beneficiados. E ninguém está falando aqui de disciplinas sem prestígio. Em engenharia de computação, uma das novas fronteiras do mercado de trabalho, os estudantes negros, pobres e que frequentaram escolas públicas tiraram, no terceiro semestre, média de 6,8, contra 6,1 dos demais. Em física, um bicho de sete cabeças para a maioria das pessoas, o primeiro grupo cravou 5,4 pontos, mais dos que os 4,1 dos outros (o que dá uma diferença espantosa de 32%).
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Em um relatório interno, a Unicamp avaliou que seu programa para pobres e negros resultou em um bônus inesperado. “Além de promover a inclusão social e étnica, obtivemos um ganho acadêmico”, diz o texto. Ora, os pessimistas não diziam que os alunos favorecidos pelas cotas acabariam com a meritocracia? Não afirmavam que a qualidade das universidades seria colocada em xeque? Por uma sublime ironia, foi o inverso que aconteceu. E se a diferença entre cotistas e não cotistas fosse realmente grande, significaria que os programas de inclusão estariam condenados ao fracasso? Esse tipo de análise é igualmente discutível. “Em um País tão desigual quanto o Brasil, falar em meritocracia não faz sentido”, diz Nelson Inocêncio, coordenador do núcleo de estudos afrobrasileiros da UnB. “Com as cotas, não é o mérito que se deve discutir, mas, sim, a questão da oportunidade.” Ricardo Vieiralves de Castro fala do dever intrínseco das universidades em, afinal, transformar  seus alunos – mesmo que cheguem à sala de aula com deficiências de aprendizado. “Se você não acredita que a educação é um processo modificador e civilizatório, que o conhecimento é capaz de provocar grandes mudanças, não faz sentido existir professores.” Não faz sentido existir nem sequer universidade.
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Mas o que explica o desempenho estudantil eficiente dos cotistas? “Os alunos do modelo de inclusão são sobreviventes, aqueles que sempre foram os melhores de sua turma”, diz Maurício Kleinke, coordenador-executivo do vestibular da Unicamp. Kleinke faz uma análise interessante do fenômeno. “Eles querem, acima de tudo, mostrar para os outros que são capazes e, por isso, se esforçam mais.” Segundo o professor da Unicamp, os mais favorecidos sabem que, se tudo der errado na universidade, podem simplesmente deixar o curso e voltar para os braços firmes e seguros de seus pais. Para os negros e pobres, é diferente. “Eles não sofrem da crise existencial que afeta muitos alunos universitários e que faz com que estes desistam do curso para tentar qualquer outra coisa.” Advogado que entrou na PUC do Rio por meio de um sistema de cotas, Renato Ferreira dos Santos concorda com essa teoria. “Nós, negros, não podemos fazer corpo mole na universidade”, diz. Também professor do departamento de psicologia da Uerj, Ricardo Vieiralves de Castro vai além. “Há um esforço diferenciado do aluno cotista, que agarra essa oportunidade como uma chance de vida”, diz o educador. “Ele faz um esforço pessoal de superação.” Esse empenho, diz o especialista, é detectável a cada período estudantil. “O cotista começa a universidade com uma performance mediana, mas depois se iguala ao não cotista e, por fim, o supera em muitos casos.”
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O cotista não desiste. Se desistir, terá de voltar ao passado e enfrentar a falta de oportunidades que a vida ofereceu. Por isso, os índices de evasão dos alunos dos programas de inclusão são baixos e, em diversas universidades, até inferiores aos dos não cotistas. Para os críticos teimosos, que achavam que as cotas não teriam efeito positivo, o que se observa é a inserção maior de negros no mercado de trabalho. “Fizemos uma avaliação com 500 cotistas e descobrimos que 91% deles estão empregados em diversas carreiras, até naquelas que têm mais dificuldade para empregar”, diz Ricardo Vieiralves de Castro. Com o diploma em mãos, os negros alcançam postos de melhor remuneração, o que, por sua vez, significa uma chance de transformação para o seu grupo social. Não é difícil imaginar como os filhos dos cotistas terão uma vida mais confortável – e de mais oportunidades – do que seus pais jamais tiveram.
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Por mais que os críticos gritem contra o sistema de cotas, a realidade nua e crua é que ele tem gerado uma série de efeitos positivos. Hoje, os negros estão mais presentes no ambiente universitário. Há 15 anos, apenas 2% deles tinham ensino superior concluído. Hoje, o índice triplicou para 6%. Ou seja: até outro dia, as salas de aula das universidades brasileiras lembravam mais a Suécia do que o próprio Brasil. Apesar da evolução, o percentual é ridículo. Afinal de contas, praticamente a metade dos brasileiros é negra ou parda. Nos Estados Unidos, a porcentagem da população chamada afrodescendente corresponde exatamente à participação dela nas universidades: 13%. Quem diz que não existe racismo no Brasil está enganado ou fala isso de má-fé. Nos Estados Unidos, veem-se negros ocupando o mesmo espaço dos brancos – nos shoppings, nos restaurantes bacanas, no aeroporto, na televisão, nos cargos de chefia. No Brasil, a classe média branca raramente convive com pessoas de uma cor de pele diferente da sua e talvez isso explique por que muita gente refuta os programas de cotas raciais. No fundo, o que muitos brancos temem é que os negros ocupem o seu lugar ou o de seus filhos na universidade. Não há outra palavra para expressar isso a não ser racismo.
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Com a aprovação recente, pelo Senado, do projeto que regulamenta o sistema de cotas nas universidades federais (e que prevê que até 2016 25% do total de vagas seja destinado aos estudantes negros), as próximas gerações vão conhecer uma transformação ainda mais profunda. Os negros terão, enfim, as condições ideais para anular os impedimentos que há 205 anos, desde a fundação da primeira faculdade brasileira, os afastavam do ensino superior. Por mais que os críticos se assustem com essa mudança, ela é justa por fazer uma devida reparação. “São muitos anos de escravidão para poucos anos de cotas”, diz o pedagogo Jorge Alberto Saboya, que fez sua tese de doutorado sobre o sistema de inclusão no ensino superior. Acima de tudo, são muitos anos de preconceito. Como se elimina isso? “Não se combate o racismo com palavras”, diz o sociólogo Muniz Sodré, pesquisador da UFRJ. “O que combate o racismo é a proximidade entre as diferenças.” Não é a proximidade entre as diferenças o que, afinal, promove o sistema de cotas brasileiro?
Fotos: Arquivo pessoal; Adriano Machado/Ag. Istoé; Ana Carolina Fernandes; Orestes Locatel; Link Photodesign

domingo, 7 de abril de 2013

LULA O PAI DAS DEMOCRACIAS REVOLUCIONÁRIA NA AMÉRICA LATINA.


CHINA ALERTA O PERIGO DE UMA GUERRA NUCLEAR


sábado, 6 de abril de 2013

IMAGENS DOS PROTESTOS DE RUA EM PORTO ALEGRE CONTRA OS PREÇOS DAS PASSAGENS.

Milhares de estudantes ganharam as ruas de Porto Alegre nas últimas semana para protestar contra o aumento abusivo das passagens





Alguns partidos e DCEs tiveram participação muito ativa na organização dos protestos que levaram mais de dez mil as ruas..





A mobilização foi um sucesso pois conseguiram atingir seus objetivos e mostrar para o resto do país que o RS é vanguarda em mobilizações. 






Fazia algum tempo que mobilização grande e espontânea Porto Alegre não testemunhava.





Gritos e palavras de ordem eram entoados pelos manifestante , que souberam dosar suas manifestaçõs.




Prefeito de Porto Alegre um dos queridinho da mídia não foi poupado pelos manifestantes, pois o mesmo se acovardou não evitando a alta do valor das passagens, por isto Fortunatti não esperava.




Os manifestante foram super criativos na forma de protestar.