sábado, 2 de março de 2013

QUEM SÃO AS VÍTIMAS DE HOMICÍDIOS NO BRASIL


jovens e pobres são as principais vítimas de homicídios

Fonte: site terra
A violência no Brasil, no que se refere a assassinatos, atinge principalmente homens, pobres e negros, que têm de 15 anos a 24 anos, segundo o estudo Avanço no Socioeconômico, Retrocesso na Segurança Pública, Paradoxo Brasileiro?, do professor doutor Luis Flávio Sapori, coordenador do Centro de Pesquisas de Segurança Pública da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-MG).
De acordo com a pesquisa, três fatores contribuem para o aumento da violência e dos homicídios no país: a consolidação do tráfico de drogas, principalmente o consumo de drogas; os elevados níveis de impunidade; e a necessidade de adoção de medidas mais eficientes para combater os dois aspectos anteriores.Sapori explica que os homens jovens, além de acusados pela maior parte dos crimes, também são as maiores vítimas da violência. O pesquisador destacou que foi registrado um aumento no uso de armas de fogo. Em 2010, por exemplo, de cada dez pessoas assassinadas, oito foram mortas com armas de fogo.

Sapori disse ainda que apenas os esforços para combater a pobreza não asseguram a redução da violência nem a da taxa de homicídios no Brasil. 'É preciso desfazer esse senso comum de que combatendo a pobreza quase que de maneira imediata será possível reduzir a violência e a taxa de homicídios no país', destacou o pesquisador.

O estudo usa dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e das Nações Unidas

CENSURA É UM FANTASMA QUE "VIGIA" NOSSA CULTURA


O Tempo é nosso aliado.


Condena-se sem provas num julgamento marcado pela carnavalização midiática. Luz de holofotes e superexposição de ministros que a meu ver  deveriam ser mais discretos, e menos àvidos pela fama.

O julgamento do mensalão tucano anda a passos de tartuaruga.

A Justiça suspende e censura o blog "Falha de SP". 

O Ministro Luis Fux num ato inábil trancou a pauta do Congresso.

Biografias são proibidas.

Ministros e desembargadores liberam habeas corpus a criminosos comuns que acabam fugindo do País como um  banqueiro fraudador,um médico estuprador etc..

E por aí vai a banda...

Hoje impôs-se a censura ao "Blog Falha de SP" enquanto essa escrófula do imperialismo circula pelo País de braços dados com o "Cavaleiro  da Triste Figura": o Senhor Mogadon de Oliveira.

A penalidade imposta ao "Falha" passa à História do país. Creio que históricamente tem mais mérito que se o "Falha"continuasse a existir.

O "Falha" deixa de ser um blog irreverente para se tornar símbolo da perseguição da grande mídia brasileira à liberdade de expressão.

Repudio a Censura, mas consola-me o fato de que o "Falha" a partir de hoje transcende o espaço da WEB para tornar-se referência na luta por democracia e liberdade.

Esta Censura imposta permitirá que gerações futuras saibam sempre como a Mídia Golpista age  , esta mesma que tenta derrubar Cristina e Chávez, e que derrubou Jango no Brasil  e nos impõs 21 anos de Ditadura.

A luta heróica dos companheiros do "Falha" insere-se agora na história das lutas do povo brasileiro contra a repressão.

Ninguém se lembrará do nome do Juiz que impôs a Censura, mas com certeza o nome do "Falha" será sempre referência libertária e de resistência à manipulação da informação.

A verdade é filha do tempo e não da autoridade.

ASFALTO SEM MOBILIZAÇÃO NÃO SAI.


Eis uma questão que ficará no ar.Será que o acesso  asfalto para Cerro Grande do Sul é tão importante? Antes que alguém me condena pela pergunta  respondo por mim . Sim é muito importante. mas no meu ponto de vista, e com certeza de muitos cidadãos de nossa cidade e região.

Vejo e vi uma grande mobilização em Tapes para recuperar o acesso asfáltico da 116 até a cidade, pois grandes mobilizações populares e da imprensa que foram articulada e liderada pelas autoridades daquele município para pressionar o DAER e governo estadual, a fim de que se recuperasse aquele trecho de asfalto todo deteriorado,  parece que esta dando certo.

Camaquã e Arambaré também ouve muita pressão política ,empresarial e dos meios de comunicação para o término do asfalto que ligava Camaquã até Arambaré passando por uma área de muita produção agropecuária e parece que funcionou.

Governos funcionam feitos feijão, pois o povo é  o fogo, e se não ascender o fogo a panela de pressão não vai esquentar e o feijão não reagirá, ou seja não ficará pronto, sei que a comparação é absurda, mas tem lógica,  se os municípios de nossa região não reagir através da população, dos meios de comunicação e das autoridades, ficaremos no meio da poeira e do barro.

O momento de pressionar o governo é este,pois temos menos de dois anos, para que os acesso asfáltico saiam do papel e realmente aconteçam , mas pelo que eu vejo de mobilização nestes município principalmente por suas autoridades, formadores de opinião, meios de comunicação e políticos o asfalto pode ficar para depois.

Sigamos o exemplo de Arambaré, Tapes e outros municípios façamos mobilização e diligência aos gabinetes responsáveis por nossas estradas por asfaltar, os blogs e meios de comunicação variados sejam criativos nas criticas e acendamos aquele fogo que por hora está apagado.

sexta-feira, 1 de março de 2013

O JORNAL NACIONAL PERDEU AUDIÊNCIA POR MANIPULAR INFORMAÇÕES.

: William Bonner e Patrícia Poeta apresentam o Jornal Nacional



Por Carlos Castilho, do portal Observatório da Imprensa

Nos anos 1970 e 80, o Jornal Nacional da TV Globo se orgulhava de ter uma média de 80% de audiência. Oscilava entre o primeiro e o segundo lugar no ranking de popularidade junto ao público da emissora. Hoje, o JN patina nos 27% de audiência e está no quinto lugar na lista dos programas mais vistos na Globo(1),atrás até mesmo, do pouco expressivo seriado Pé na Cova. [Dados de audiência publicados pelo suplemento "TV Show", do jornal Diário Catarinense, do grupo RBS, afiliada da Rede Globo, em 24/2/2013.]

Esta brutal mudança de status não pode ser atribuída a alguma defasagem técnica ou concorrência de outro telejornal. A Globo continua usando o que há de mais moderno em matéria de tecnologia, mantém o maior e mais bem pago plantel de jornalistas da TV brasileira e nenhuma outra emissora consegue bater a Vênus Platinada em matéria de coberturas internacionais, de temas políticos ou econômicos, e na mobilidade das equipes de reportagem. Só enfrenta alguma concorrência da TV Record na cobertura de crimes, tragédias e escândalos sociais.

Pode-se alegar que a concorrência do canal fechado Globo News – e seus similares na Band e Record – tenha levado os públicos A e B para um nicho informativo mais exclusivo, deixando a TV aberta como um reduto das classes C e D , supostamente menos interessadas em jornalismo. Mas acontece que tanto o Jornal Nacional como os seus similares na TV paga seguem estritamente o mesmo modelo jornalístico, a mesma fórmula para lidar com a audiência.

A explicação para a perda de audiência do Jornal Nacional está fora da emissora. Está nos quase 150 milhões de brasileiros que todas as noites ligam a TV. Este público perdeu a atração quase mística pelo noticiário na televisão, como acontecia entre os anos 1970 a 90, passando para um posicionamento desconfiado, distante e cético. A narrativa telejornalística deixou de ser discursiva para ganhar ares menos ufanistas, menos formalista e mais próxima da realidade, mas nem isso fez com que o telespectador baixasse a guarda.

Esse comportamento não é exclusivo do telespectador, pois também o leitor de jornais e de revistas é, sobretudo, um cético quando se trata de avaliar publicações. Em qualquer conversa sobre o noticiário impresso ou audiovisual, o número de críticas sempre supera – por larga margem – a quantidade de elogios.

Há 20 ou 30 anos, as pessoas discutiam os fatos, dados e eventos noticiados na TV e nos jornais. Hoje, o leitor e o telespectador se mostram mais preocupados em identificar quem está por trás da notícia, quem são os beneficiários e os prejudicados. Ao longo dos anos, o público, de maneira geral, começou a perceber que os entrevistados e protagonistas do noticiário estavam mais preocupados com sua imagem pessoal do que com a informação. Que os eventos cobertos estavam ligados a interesses políticos, comerciais ou econômicos.

Como a imprensa raras vezes questionou esse tipo de comportamento, as pessoas assumiram, consciente e inconscientemente, que era necessário ter um pé atrás ao receber a sua dose diária da realidade filtrada pelas redações. 

A sofisticação crescente do marketing pessoal, social, político e corporativo torna inevitável que celebridades, parlamentares, governantes e executivos tentem projetar para o público percepções que lhes sejam favoráveis. Pode ser eticamente nebuloso, mas é a regra do jogo.

O erro está no papel da imprensa, que em vez de questionar esse tipo de postura marqueteira, ou pelo menos identificar os interesses ocultos, simplesmente passou a publicar tudo o que recebia como informação, desde que fosse fornecido por fontes respeitáveis. A confiabilidade de dados e fatos deixou de estar atrelada a uma checagem jornalística para ficar pendente do status da fonte. Os jornais, revistas e telejornais se preocuparam mais com os formadores de opinião e tomadores de decisões do que com o público, que foi aos poucos perdendo a confiança naquilo que lhe era oferecido como sendo a verdade dos fatos.

A imprensa está pagando caro por esse erro estratégico porque a crise no modelo de negócios provocada pelas novas tecnologias de comunicação e informação fez com que ela se tornasse mais dependente do consumidor de notícias, justo no momento em que cresce o ceticismo e desconfiança do público em relação ao noticiário corrente. Ceticismo que assume proporções endêmicas no público jovem, com menos de 35 anos e que em breve estará na liderança dos governos, das organizações sociais e das empresas.

A solução para esse problema não está em tecnologias mais sofisticadas, mas na revisão das estratégias editoriais que priorizam os interesses das fontes e das empresas jornalísticas. O jornalismo tem no seu DNA a prestação de serviços ao público, e é aí que ele pode encontrar novas fórmulas de relacionamento com leitores, ouvintes, telespectadores e internautas.

Trata-se de uma escolha histórica porque, se ela não for feita, corremos o risco de desperdiçar toda a experiência e sabedoria de várias gerações de jornalistas que têm muito a transmitir para os novos profissionais e amadores. Estes inevitavelmente vão mudar a imprensa porque já nasceram com um chip digital embutido em sua cultura informativa. 

Mas também inevitavelmente passarão por muitas decepções e revezes porque a experiência é única e insubstituível.

Se as atuais empresas jornalísticas ignorarem o público como seu parceiro para continuar a vê-lo apenas como comprador de notícias, elas não sobreviverão e serão substituídas por outras. O preço a ser pago é o desperdício de quantidades imensas de informação acumuladas ao longo dos anos e que podem virar sucata junto com marcas jornalísticas centenárias

"OS MISERÁVEIS" O MAIOR E INSPIRADOR ROMANCE DE TODOS OS TEMPOS.



Fonte: Luís Edmundo Araújo/História viva/uol
 O romance completo, a história contada nos mínimos detalhes que vai, volta, viaja longe no tempo e no espaço e retorna ao cerne, ao ponto -chave da questão, como se nunca tivesse saído, e que por isso, pela fluidez com que sai do campo de batalha para a estalagem nos confins da França, e daí para a detalhada descrição geográfica e histórica de um convento e das ordens que o habitam, consegue segurar o leitor por dias, semanas e até meses submersos em suas quase 2 mil páginas. Publicado em 1862, em sete cidades da Europa ao mesmo tempo, Os miseráveis, do francês Victor Hugo, nasceu nas livrarias de Paris, Milão, Bruxelas, Budapeste, Leipzig, Roterdã e Varsóvia, e se espalhou pelo mundo, graças à força de personagens como Fantine, Javert e Jean Valjean, que inspirou dezenas de filmes por todo o planeta, do Japão à Índia, da antiga União Soviética ao Egito, do México ao Brasil, e isso há mais de um século. Os dois primeiros filmes baseados no romance de Victor Hugo, On the barricade e Le chemineau, datam de 1907, nos primórdios do cinema. O mais recente deles, versão do musical que fez sua estreia em 1980, em Paris, e depois foi sucesso na Broadway, com Anne Hathaway e grande elenco, é forte candidato, neste mês de fevereiro, a levar um ou outro Oscar, a estatueta fetiche do cinema americano.

A trama de Os miseráveis se passa entre dois episódios específicos da história francesa: a Batalha de Waterloo, em 1815, que representou o fim do sonho imperialista de Napoleão Bonaparte, e os motins de junho de 1832, em Paris, quando estudantes republicanos tentaram, em vão, derrubar o regime do rei Luís Filipe I. Na época de sua publicação, Victor Hugo tinha 60 anos e já desfrutava de grande prestígio, na França e fora dela. Tinha escrito clássicos como O corcunda de Notre Dame, mas nada foi maior em sua obra do que a epopeia de seus personagens pobres, sujos e desvalidos, cuja novidade era exatamente essa abordagem clara, escandalosa por pura falta de hábito, do ponto de vista das classes mais baixas, dos representantes de toda a miséria acumulada pelo absolutismo de Luís XIV, e depois nos reinados de Luís XV e Luís XVI, que desembocaria na Revolução Francesa e, mais tarde, em Napoleão.

O que Charles Dickens já começara a fazer na Inglaterra, mostrando a sociedade à margem do Império Britânico que habitava os submundos de uma Londres caótica, Victor Hugo, que também vinha retratando a miséria desde Claude Gueux, publicado em 1834, escancara com Os miseráveis. Cavou fundo nas camadas da conturbada organização social pós-revolução e revelou não só a miséria material, mas também a pobreza de espírito, que nem sempre caminham juntas, como nos mostra nesta breve introdução a um casal de personagens de suma importância na história.

Victor Hugo iniciou a concepção de Os miseráveis quase 40 anos antes de publicar o romance. Tinha 22 de idade quando, em 1824, começou a colher informações sobre a colônia penal de Toulon, de onde sai o protagonista Jean Valjean, ainda que, no caso de um livro desse porte e desse tamanho, os protagonistas sejam também, pelo menos, Fantine, Cosette e Marius, os outros três personagens que dão nome a quatro dos cinco volumes da história completa. Em 1837, o escritor visita finalmente a colônia penal que fornecia os remadores para o trabalho forçado nas galés, para remarem com os pés atados em correntes. Mas viveria ainda oito anos intensos antes de começar, no dia 17 de novembro de 1845, a redigir aquele que seria seu livro mais importante.
Após diversas tentativas frustradas, Victor Hugo foi eleito para a Academia Francesa em 1841. Em 1843, perdeu a filha, Léopoldine. Recémcasada com Charles Vacquerie, Léopoldine morreu aos 19 anos, afogada junto com o marido depois que o barco em que os dois viajavam virou, em Villequier. Dois anos depois, o escritor tinha acabado de receber o título de par de França quando foi flagrado num caso extraconjugal com Léonie Biard. Ela foi enviada a uma prisão e depois a um convento; ele se fechou em casa e começou a escrever Os miseráveis.

O contrato de edição da obra, com os editores Renduel e Gosselin, já estava assinado quando eclodiu a revolução de 1848, que destronou Luís Filipe I e instauou uma república bonapartista na França, mais tarde transformada em novo império, com Napoleão III. Eleito durante a república para a Assembleia Legislativa, Victor Hugo passa a dedicar-se à atividade parlamentar e deixa o romance de lado. Tenta retomá-lo três anos depois, mas a ebulição política da França da época não deixa. Em 1851, participa de uma frustrada tentativa de resistência ao golpe que instaurou o império de Napoleão III e vai para o exílio. O imperador ainda iria lhe oferecer anistia, mas o escritor não foi muito amistoso na resposta. “Quando a liberdade voltar, eu voltarei”, disse Victor Hugo. Foi no exílio que ele terminou de escrever Os miseráveis, mais precisamente em Mont-Saint-Jean, na Bélgica, nas proximidades do campo da Batalha de Waterloo, descrita, aliás, com maestria em quase 80 páginas do início do segundo volume do romance.

O mesmo rigor descritivo que pinça momentos específicos de uma das maiores batalhas da história, sem deixar de mostrar o plano geral, como a vitória pendeu de um lado a outro na movimentação dos dois exércitos gigantescos, serve também para expor os mínimos detalhes da geografia dos becos mais sombrios de Paris, desde a angulação das ruas, qual faz esquina com qual, às ranhuras de um muro, enfim, todas as nuances do terreno de outra batalha, essa particular, de um caçador, Javert, com sua presa, Jean Valjean. Os miseráveis é drama, sim, comédia, um pouco, mas é também ação e suspense na perseguição implacável de um personagem a outro, no duelo de inteligências e estratégias pelas ruas de uma Paris que começava a adentrar na era moderna, com todas as maravilhas e os horrores dessa transformação.

Na disputa anunciada em Os miseráveis, o conflito de classes que começava a emergir e a ganhar cada vez mais força com o início do processo de industrialização na Inglaterra e na França, o autor do romance escolheu um lado e não se preocupou em esconder sua posição. Estruturou sua maior obra em volta de personagens até então invisíveis para o resto da sociedade, como o forçado das galés ou a prostituta sem dentes, esfarrapada e doente. Ao fazer isso, não só mostrou ao mundo o espetáculo da miséria, sem filtros ou véus, como ajudou a despertar a compaixão pelos mais pobres, o que não torna absurdo dizer que a história de Jean Valjean, Fantine e companhia, além de clássico universal da literatura, ajudou a impulsionar uma até então inexistente política de solidariedade com os miseráveis da vida real.

No vaivém das quase 2 mil páginas de sua história, Victor Hugo tem domínio completo da narrativa. Mostra só um pouco de uma cena que bem poderia habitar o mundo do fantástico, quando Jean Valjean e Cosette estão pertos de encontrar abrigo nos jardins de um convento.

Depois muda de assunto, se perde e se encontra em situações diversas daquela para, sem aviso, voltar ao mistério anunciado anteriormente e explicá-lo com a maior naturalidade, alijando qualquer possibilidade de que fantasmas ou forças do mal venham a habitar o romantismo mais que real de sua história, e surpreendendo mais uma vez o leitor. Não é à toa que Os miseráveis continuam a inspirar filmes e mais filmes, da França aos Estados Unidos, da Inglaterra à Itália, da Coreia do Sul à Turquia.




EM 2045 UM COMPUTADOR CONTERÁ TODA INTELIGÊNCIA DA HUMANIDADE.




2045: o ano em que os computadores assumirão o poder


Um computador vai escrever o melhor romance de todos os tempos em um segundo, resolver o maior mistério da ciência em um décimo de segundo e descobrir o sentido da vida, do universo e tudo o mais em menos tempo do que você leva para terminar este parágrafo. Muitos de nós provavelmente estarão vivos quando esse dia chegar. O problema é saber como será o dia seguinte... É o que vamos ver agora. Bem-vindo à verdadeira Matrix.


Já faz 15 anos que o Deep Blue, um supercomputador da IBM, bateu Garry Kasparov, o grande trunfo do xadrez do time da humanidade. Na época, houve quem desse pouco crédito à inteligência daquela máquina pelo fato de o jogo ser altamente matemático - ciência para a qual os computadores têm aptidão mais do que natural.

Na prática, não haveria uma grande "inteligência" ali. Só uma calculadora grande. Os computadores, então, poderiam até ser geniais, mas nunca saberiam "pensar como um humano". Hoje essa visão não faz mais sentido. O Watson, outro supercomputador da IBM, conseguiu vencer em 2011 os dois melhores jogadores humanos no Jeopardy, um game show da TV americana. Trata-se de um jogo de perguntas e respostas que exige dos participantes uma baita habilidade com linguagem. São questões do tipo "Esse objeto, mesmo quando quebra, está certo duas vezes por dia. Qual é o objeto?". "Um relógio", respondeu Watson, com a mesma rapidez com que uma calculadora dá um resultado. E foi assim com outras dezenas de perguntas nessa linha. "Isso não aconteceu, note bem, porque algum cientista colocou aquela informação do jeito certo", diz o americano Ray Kurzweil, um dos mais célebres especialistas em inteligência artificial . De fato. Tudo o que Watson fez antes de participar do jogo foi ler milhares de livros e enciclopédias - inclusive a Wikipedia, embora ele não estivesse conectado à internet na hora de responder as perguntas. Tinha de ser tudo "de cabeça" mesmo. Admirável. E o bastante para dizer que Watson está para o Deep Blue como um cachorrinho está para uma formiga. Trata-se de uma inteligência infinitamente superior - ainda que não chegue aos pés da humana.

Mas para alguns especialistas essa nossa vantagem não deve durar mais tanto tempo. É o caso de Kurzweil. Para ele, os chips devem nos ultrapassar até a metade do século. É quando toparemos com o que ele e outros cientistas chamam de "singularidade tecnológica". Vamos ver o que é isso.

Na física, "singularidade" é o que acontece no interior de um buraco negro. Um buraco negro se forma quando uma estrela implode e começa a ser destruída pela própria gravidade. Chega uma hora em que não sobra mais estrela. Só gravidade. Na verdade, um pontinho no espaço onde a gravidade tende ao infinito. Esse pontinho é o que os físicos chamam de "singularidade". Com o passar do tempo, a singularidade vai sugando tudo o que tem à sua volta. A massa e a energia dos objetos que ela engole deixa o buraco negro "mais forte". O poder de sucção dele aumenta, ele engole mais coisas, fica mais forte... Em suma: o crescimento do buraco negro acontece numa espiral infinita. Com a "singularidade tecnológica" seria a mesma coisa. Uma máquina mais inteligente que a humanidade criaria ela mesma máquinas ainda mais sofisticadas, sem precisar de programadores humanos. A inteligência artificialcresceria por conta própria, igual o poder de sucção dos buracos negros. Esse processo tenderia ao infinito, com máquinas dando à luz máquinas incríveis que depois criam máquinas ainda mais fantásticas. E nós ficaríamos só assistindo.

Isso é só uma possibilidade teórica. Mas talvez estejamos dando agora mesmo os primeiros passos para chegar a essa realidade. E por um motivo simples: construímos máquinas cada vez mais à imagem e semelhança do nosso cérebro. A inteligência humana foi produzida pela seleção natural. Ao longo da evolução, nossa cabeça cresceu para lidar com desafios que nossos corpos não teriam como vencer - tente correr de um leão na savana africana para ter uma referência mais completa do que estamos falando.

A sobrevivência dos seres humanos dependeu basicamente do desenvolvimento da capacidade de criar extensões dos nossos corpos - ferramentas - e ao mesmo tempo ter a chance de nos especializarmos no uso delas. Podemos, portanto, resumir o cérebro humano em duas qualidades básicas: capacidade de processamento (para imaginar a ferramenta certa) e plasticidade (para se adaptar ao uso da tal ferramenta).

Primeiro vamos falar da capacidade de processamento. Qual é o desempenho computacional dos nossos miolos? Pesquisadores da IBM fizeram essa conta e estimam que o cérebro é capaz de atingir 36,8 petaflops - ou 36,8 quatrilhões de operações por segundo. Isso equivale a mais ou menos 1 milhão de PCs trabalhando em conjunto.

Coordenar o trabalho de tantos chips ainda é algo impossível com a tecnologia de hoje. Mas os supercomputadores têm avançado um bocado. Em 2012, o Sequoia, da IBM, conseguiu atingir 16,32 petaflops - quase metade da capacidade humana. Ainda assim, ele não faz nada tão incrível quanto nós fazemos - coisas como pensar que estamos vivos. Por quê? Para responder a essa pergunta, entra a segunda qualidade básica da sua cabeça: a plasticidade.

Seu cérebro é altamente maleável, adaptável. Conforme o sistema nervoso vai se desenvolvendo, diversas regiões cerebrais vão assumindo diferentes responsabilidades. Sabe-se, por exemplo, que há áreas determinadas para o processamento da linguagem. Também há partes específicas do cérebro que controlam partes diferentes do corpo, como os pés e as mãos.

Mas o melhor de tudo é que dá para adaptar o cérebro conforme o uso. É a plasticidade que permite, por exemplo, que um sujeito se torne um grande pianista. As áreas do cérebro referentes às mãos se expandem enormemente em quem treina piano durante muitos anos. "Nosso cérebro é um sistema projetado para aprender, para se moldar na interação com o ambiente", diz o psicólogo Steven Pinker, de Harvard, um dos maiores especialistas no funcionamento da massa cinzenta. Os melhores cérebros eletrônicos de hoje funcionam basicamente assim. Ou seja: eles conseguem aprender. "As técnicas que evoluíram no campo da inteligência artificial são similares às tecnicas que o cérebro usa", diz Kurzweil. "E isso não aconteceu porque esse campo de pesquisa estava copiando o cérebro". Ou seja: foi uma feliz coincidência. Uma coincidência que permitiu máquinas como o Watson, capazes de aprender por conta própria quando leem um livro - que nem você.

Conforme a plasticidade dos cérebros eletrônicos aumente, é possível que uma hora eles fiquem tão complexos quanto o cérebro que você carrega. Kurzweil, que é o maior arauto dessa tese, estima que as máquinas chegarão a uma inteligência equivalente à humana em 2029. Sim, exatamente 2029. Ele chegou a esse número com base em projeções matemáticas sobre a evolução da capacidade de processamento. Claro que a previsão é polêmica - para muitos pesquisadores, cravar o ano em que algo tão imprevisível e insólito deve surgir é loucura. Ponto. Seja como for, pelas contas de Kurzweil, a singularidade propriamente dita começará em 2045, quando um único computador será mais inteligente que a humanidade inteira.

Uma máquina com tamanho poder seria tão fascinante quanto perigosa. Por um lado, ela seria capaz de coordenar e executar todas as atividades hoje atribuídas a nós, como escrever um grande romance ou unificar numa só teoria a física quântica (que rege o universo subatômico) e a relatividade (que dita as ordens no mundo das coisas grandes) - algo que Einstein morreu tentando fazer. Tudo isso em questão de segundos. Lindo. Por outro lado, qual é o nível de respeito que uma máquina assim teria pela gente? Estamos falando de um "sujeito" para quem um Einstein ou um Dostoievski são só cachorrinhos - e nós, formigas. A gente não dá muito valor à habilidade intelectual de uma formiga, certo? Isso dá a noção exata do tamanho do perigo. Estamos criando uma possível "forma de vida" ultrapoderosa que pode ou não compartilhar nossos valores éticos e morais. Para discutir essas implicações, aliás, Kurzweil criou um projeto ambicioso: a Singularity University, no Vale do Silício. Trata-se de uma entidade fundada em 2008 que oferece cursos de pós-graduação focados em "montar, educar e inspirar um grupo de líderes". A esses líderes caberá "guiar o desenvolvimento" dessa superinteligência artificial que estaria por vir. A esperança por trás da iniciativa é que essas máquinas já nasçam "cultivando" valores como democracia, liberdade de expressão... Em suma, fazer com que elas, mesmo sendo vastamente mais poderosas que nós, tenham "bom senso" suficiente para não nos destruir. "As pessoas dizem: `Ei: isso não soa como uma estratégia infalível'", diz Kurzweil. "E não é mesmo. Mas é o melhor que podemos fazer."

UPLOAD DE CONSCIÊNCIAS
Se você não pode vencê-los, junte-se a eles. Esse ditado vai fazer mais sentido do que nunca num mundo com máquinas bilhões de vezes mais inteligentes do que nós: juntar-se a elas pode ser o futuro da humanidade. "Um dia poderemos descarregar nossas lembranças num computador e preservá-las", diz outro especialista em sistemas inteligentes: o brasileiro Miguel Nicolelis, que trabalha no desenvolvimento de próteses capazes de conversar com cérebros humanos - e de funcionar como se fossem braços ou pernas normais. Esse "descarregamento", em tese, pode significar o upload da sua consciência para dentro de uma máquina. A mente continuaria viva após a morte do corpo. E acabaria deitada eternamente no berço esplêndido de um simulador de realidade... Não deixa de ser uma forma de alcançar a vida eterna.

Bom, provavelmente caberá à máquina decidir se você vai saber que vive numa simulação. Ela pode achar que é melhor você não saber de nada, e ir tocando a vida achando que tem um corpo, que respira, que vai morrer um dia... Se for assim, inclusive, a singularidade pode já ter acontecido. E nós estaríamos vivendo agora mesmo numa ilusão, numa "Matrix". Essa hipótese, ao menos filosoficamente, não tem como ser refutada, já que não dá para imaginar o que uma inteligência superior é realmente capaz de fazer. Ou de já ter feito

DIETA ALIMENTAR DA PRÉ HISTÓRIA, DO PALEOLÍTICO.

Conheça Loren Cordain, que defende uma dieta igual à de nossos ancestrais no Paleolítico

Passamos 95% da nossa existência como humanos sem comer arroz, feijão ou pão. Por conta disso, o nutricionista Loren Cordain, da Universidade do Colorado, defende que o nosso corpo não foi feito para o consumo de grãos. E que deveríamos voltar a comer só o que nossos ancestrais caçavam e coletavam no Paleolítico. Conheça a dieta "Paleo".

Fonte: Laura Folgueira/carta capital.
Desde o surgimento do Homo sapiens, há 200 mil anos, até o surgimento da agricultura, há apenas 10 mil, comíamos muita gordura (dos animais de caça). Mas isso não é visto hoje como um hábito saudável. A dieta Paleo defende o consumo de gordura mesmo assim?

A ideia de que a gordura encontrada na carne pode fazer mal não é verdadeira. Esse argumento tem sido revertido nos últimos anos. Hoje existem análises mais abrangentes sobre o efeito saudável da gordura animal. Ela não tem efeito nocivo nem causa doenças. Menos ainda dentro do contexto dadieta Paleo, que restringe comidas processadas e açúcar refinado.

A dieta permite todos os vegetais e frutas ou só aqueles que eram consumidos antes do surgimento da agricultura?

Há algumas exceções. As batatas cultivadas hoje têm características nutricionais, como uma carga glicêmica alta, que não existiam em raízes de tubérculos selvagens. Além disso, o consumo ilimitado de frutas secas também representaria uma glicemia elevada. O milho por exemplo é um grão, e grãos não fazem parte do menu Paleo. Vagens e amendoins também são leguminosas que não eram consumidas frequentemente em tempos pré-agrícolas.

Qual seria a diferença fundamental entre a dieta Paleo e outras parecidas, como a dieta da proteína?

A nossa não é exatamente uma dieta, mas um programa de alimentação para a vida toda. O objetivo é maximizar a saúde e o bem-estar, imitando as características nutricionais da alimentação de nossos ancestrais pré-agricultura. A base são carnes frescas, frutos do mar, peixe, vegetais, frutas, sementes e nozes. A dieta Paleo é rica em proteínas, sim, mas também tem uma carga glicêmica baixa, já que todos os carboidratos vêm de fontes como frutas.

A exclusão de grãos e de leite é a parte mais controversa da dieta. Por que não comê-los?

Cerca de 65% da população mundial tem intolerância a lactose e nos Estados Unidos a percentagem de pessoas com intolerância ao glúten é entre 10 e 15%. Além disso, esses alimentos são nutricionalmente inferiores em comparação com carnes e vegetais.

E quais foram os resultados para a sua saúde?

Notei um crescimento da massa muscular, sem aumentar meus treinos. Sigo essa alimentação desde 1991 e a dor na coluna que me incomodava desde a adolescência foi eliminada. Meu sono é melhor, tenho mais energia e me libertei das doenças respiratórias que me acometiam.

A "CRISE NA IGREJA CATÓLICA" NA ANALISE DE LEONARDO BOFF


"PLÁGIO" DO LIVRO DE MOACYR SCLIAR QUE INSPIROU O FILME LEVA 4 OSCAR.


7 milhões de cópias vendidas de “As Aventuras de Pi”: parabéns, Moacyr Scliar!

Por Kiko Nogueira no Diário do Centro do Mundo
Uma homenagem ao verdadeiro autor da ideia por trás de um sucesso na literatura e no cinema.
vida de pi
Acho que eu já li isso antes…

E o Oscar foi para Moacyr Scliar. Ou deveria ter ido.
O filme As Aventuras de Pi, que ganhou quatro estatuetas, uma delas a de melhor diretor para Ang Lee, é adaptado do livro do canadense Yann Martel – que, por sua vez, se “inspirou” no livro Max e os Felinos, do escritor gaúcho Moacyr Scliar. Inspiração é bondade.
Em 2002, Martel agradeceu indiretamente o brasileiro pelo que chamou de “centelha de vida”. Explicou que não havia lido a obra, e sim uma resenha desfavorável de John Updike no New York Times Book Review.
A resenha não existia. Pego com a boca na botija, Martel deu uma de malandro: “Eu devo ter me confundido. Eu não queria ler aquilo. Por que estragar uma premissa brilhante com um escritor menor?”
O tamanho de Moacyr Scliar não vem ao caso. O plágio, sim. Na história de Scliar, Max, judeu alemão, é forçado a deixar seu país por causa dos nazistas. Ele embarca num navio em direção a Santos, com animais de um zoológico a bordo. Acontece um naufrágio e Max vai parar num bote com algumas provisões e uma caixa fechada. Quando ele a abre, lá está ele: um jaguar. Ele e o bicho são obrigados a conviver. É uma bela alegoria sobre morte, vida, violência e maturidade.
E é simplesmente a mesma ideia de As Aventuras de Pi, excetuando-se que aqui o menino é indiano e, ao invés de um jaguar, a fera é um tigre de Bengala.
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O romance de Martel ganhou o prestigiado Booker Prize na época de seu lançamento (75 mil dólares) e mais três prêmios literários. Scliar e sua editora entraram com um processo, mas não foram adiante. 

Ele chegou a escrever uma declaração pública elegantíssima (leia abaixo). O canadense faturou um bom dinheiro com a adaptação para o cinema e está vendendo livros a mancheias. Só na Inglaterra, mais de 3 milhões de cópias; no mundo, calcula-se em 7 milhões. Tem quase 4 mil resenhas na Amazon. Foi traduzido para 41 línguas. Obama escreveu para Martel, dizendo que se tratava de “uma prova elegante de Deus e do poder de uma história bem contada”.
Faz tempo que o Brasil não tem um filme indicado (o que acho, francamente, merecido e, sinceramente, não faz a menor diferença). Mas Scliar nos vingou. Morto em 2011, ele não foi lembrado por ninguém — do plagiador ao diretor, ninguém.
Mas nós dizemos aqui: parabéns, Professor.
(Nesta semana, o poeta malaio Iryimman Thampi acusou de plágio a compositora Jayashri, autora da música tema de As Aventuras de Pi. O filme, diga-se, é bom. Mas, pelo jeito, a originalidade não é uma de suas virtudes).
Abaixo o texto em que Scliar tratou do assunto:

“INTRODUÇÃO Moacyr Scliar

O Destino ainda bate à porta, claro, mas nesta época de comunicações instantâneas prefere o telefone. Na tarde de 30 de outubro de 2002, voltando para casa cansado de uma viagem, recebi uma ligação. Era uma jornalista do jornal O Globo, dando-me uma notícia que, a princípio, não entendi bem: parece que um escritor tinha ganho, na Europa, um prêmio importante com um livro baseado em um texto meu.

Minha primeira reação foi de estranheza: um escritor, e do chamado Primeiro Mundo, copiando um autor brasileiro? Copiando a mim? Ela se ofereceu para me dar mais detalhes, o que foi feito em telefonemas seguintes, e assim aos poucos fui mergulhando no que se revelaria, nos dias seguintes, um verdadeiro torvelinho, uma experiência pela qual eu nunca havia passado.
Sim, um escritor canadense chamado Yann Martel havia recebido, na Inglaterra, o prestigioso prêmio Booker, no valor de 55 mil libras esterlinas, conferido anualmente a autores do Common wealth britânico ou da República da Irlanda (entre outros: Ian McEwan, Michael Ondaatje, Kingsley Amis, J.M.Coetzee, Salman Rushdie, Iris Mur doch). Sim, ele dizia que havia se baseado em um livro meu, Max e os felinos, publicado no Brasil em 1981, pela L&PM (Porto Alegre), e traduzido poucos anos depois nos Estados Unidos como Max and the Cats (New York, Ballantine Books, 1990) e na França como Max et les Chats (Paris, Presses de la Renais sance, 1991). É uma pequena novela que escrevi com grande prazer – lembro-me de um fim de semana na serra gaúcha em que matraqueava animado a máquina de escrever, em todos os minutos em que não estava cuidando de meu filho, ainda pequeno.

Minha primeira reação não foi de contrariedade.
Ao contrário, de alguma forma senti-me envaidecido por ter alguém se entusiasmado pela idéia tanto quanto eu próprio me entusiasmara. Mas havia, na notícia, um componente desagradável e estranho, tão estranho quanto desagradável. Yann Martel não tinha, segundo suas declarações, lido a novela. Tomara conhecimento dela através de uma resenha do escritor John Updike para o New York Times, resenha desfavorável, segundo ele.

Esta afirmativa me perturbou. Max and the Cats não chegou a ser um best-seller, mas os artigos sobre o livro, que me haviam sido enviados pela editora, eram favoráveis – inclusive o doNew York Times, assinado por Herbert Mitgang. Teria Updike escrito uma outra resenha – para o mesmo jornal? Se era esse o caso, por que eu não a recebera? Será que os editores só mandavam resenhas favoráveis?
Scliar
Scliar

À afirmativa seguia-se um comentário de Martel. Uma pena, dizia ele, que uma idéia boa tivesse sido estragada por um escritor menor. Mas, em seguida, levantava uma outra hipótese: e se eu não fosse um escritor menor? E se Updike tivesse se enganado? De qualquer maneira a idéia principal do livro serviu-lhe de ponto de partida para sua obra The Life of Pi. E qual é essa idéia?

O Max Schmidt de meu livro é um jovem alemão que está fugindo do nazismo e que embarca para o Brasil. O navio em que viaja, um velho cargueiro, transporta também animais de um zoológico. Há um naufrágio, criminoso, mas Max salva-se em um escaler. E de repente sobe a bordo um sobrevivente inesperado e ameaçador: um jaguar. Começa então a segunda parte da novela, que tem como título O jaguar no escaler.

Esta, a idéia que motivou Martel. O seu personagem, Piscine Molitor Patel, Pi, é um menino hindu cujo pai é dono de um zoológico. A família emigra para o Canadá, levando os animais a bordo. Há, na segunda parte do livro, um naufrágio (que depois será considerado criminoso). Pi salva-se. No mesmo barco estão um tigre de Bengala, um orangotango e uma zebra. O tigre liquida os três e Pi fica à deriva com o felino por mais de duzentos dias.

O texto de Martel é diferente do texto de Max e os felinos. Mas o leitmotiv é, sim, o mesmo. E aí surge o embaraçoso termo: plágio.
Embaraçoso não para mim, devo dizer logo. Na verdade, e como disse antes, o fato de Martel ter usado a idéia não chegava a me incomodar. Incomodava-me a suposta resenha e também a maneira pela qual tomei conhecimento do livro. De fato, não fosse o prêmio, eu talvez nem ficasse sabendo da existência da obra. No lugar de Martel eu procuraria avisar o autor. Aliás, foi o que fiz, em outra circunstância. Meu livro A mulher que escreveu a Bíblia teve como ponto de partida uma hipótese levantada pelo famoso scholar norte-americano Harold Bloom segundo a qual uma parte do Antigo Testamento poderia ter sido escrita por uma mulher, à época do rei Salomão. Tratava-se, contudo, de um trabalho teórico. Mesmo assim, coloquei o trecho de Bloom como epígrafe do livro – que enviei a ele (nunca respondeu – nem sei se recebeu -, mas eu cumpri minha obrigação). Martel agiu de maneira diferente. No prefácio, em que agradece a muitas pessoas, atribui a “fagulha da vida” (“the spark of life”) que o motivou a mim. Mas não entra em detalhes, não fala em Max e os felinos.”